Presidente nacional do PSDB e ex-governador de Minas Gerais, o deputado Aécio Neves admitiu à coluna que tem conversado com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sobre a possibilidade de apoiá-lo para agovernador em outubro.
Os dois se encontraram nesta terça-feira, 10. Pacheco pretende, em troca do apoio de Aécio, tê-lo como seu candidato ao Senado. A ideia é trabalhar com dois palanques. Um, com Aécio Neves e o PSDB, e outro, com o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tendo como candidata ao Senado a prefeita petista de Contagem, Marília Campos.
Procurado pela coluna, Aécio foi claro: só definirá se apoia Pacheco a partir de maio. Antes, quer saber se ele realmente será candidato.
"Vejo o cenário em Minas ainda completamente indefinido. Apesar de estarmos conversando com outros partidos, o PSDB só definirá seu caminho a partir do mês de maio. Até lá é preciso sabermos com clareza quais são os reais candidatos ao governo. Ainda há muita indefinição no ar", disse.
Um forte elemento de indefinição é o próprio PT. O partido tem dificuldades no estado em se aproximar dos tucanos e do próprio Rodrigo Pacheco, que se elegeu senador pelo PSDB em 2018 derrotando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Pacheco está inseguro sobre o apoio efetivo do PT à sua candidatura, apesar de ter sido incentivado pelo próprio presidente Lula a concorrer ao governo. Ele espera uma manifestação da direção do PT no estado para, então, se decidir.
Ex-líder do PT na Câmara, o deputado mineiro Odair Cunha acredita que seu partido poderá aceitar o palanque duplo. "Não estou acompanhando de perto as negociações. Mas creio que o Lula fará o que precisará ser feito", disse à coluna.
Minas Gerais, com 16,5 milhões de eleitores, é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Lula considera o estado decisivo para a disputa pela reeleição. Desde a redemocratização, nenhum presidente da República foi eleito sem obter a maioria de votos dos mineiros.
É exatamente por isso que Lula insiste com Pacheco como candidato: o presidente precisa de um palanque forte no estado. A prefeita de Contagem, Marília Campos, que cumpre seu quarto mandato à frente do terceiro maior colégio eleitoral do estado, é a mais forte candidata do PT ao Senado.
Na avaliação do Palácio do Planalto, a aliança do cabeça da chapa, Rodrigo Pacheco, com o PSDB pode aparar arestas das animosidades que ainda resistem e trazer apoio do eleitorado de centro ao presidente Lula.
Esse tipo de palanque duplo chegou a ocorrer em 2002, quando Lula concorreu ao Palácio do Planalto contra o senador tucano José Serra (SP). O petista teve o apoio explícito de Itamar Franco (MDB), então governador, que montou um palanque de apoio a Lula com a simpatia do candidato tucano ao governo, Aécio Neves. Formou-se, na época, uma chapa alternativa apelidada de "Lulécio" (Lula para presidente e Aécio para governador), que saiu vitoriosa.
Com a eleição de Dilma Rousseff em 2014, PT e PSDB romperam seus laços de proximidade política. Pacheco agora tenta reeditar. Quem sabe?