Enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-RN), fecha acordos para aprovar projetos de interesse do governo - como a Proposta de Emenda constitucional (PEC) da Segurança Pública -, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se transformou numa incógnita para o Palácio do Planalto.
Inseguro sobre o apoio de Alcolumbre, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda não enviou ao Congresso a mensagem propondo a nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula segurou a mensagem à espera de receber um sinal de Alcolumbre de que não trabalhará contra a indicação.
O presidente do Senado considerou a escolha de Messias uma decisão pessoal contra ele, que defendia publicamente a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Mas Lula tem outros planos para Pacheco. O presidente da República já até convidou o senador do PSD para ser candidato a governador de Minas Gerais com o apoio do Planalto.
Na avaliação de Lula, é fundamental para sua campanha à reeleição montar um palanque forte no estado, e Pacheco seria a melhor opção como cabeça de chapa. O senador ainda não deu uma resposta definitiva, pois terá que encontrar uma legenda que o abrigue.
Mas o Palácio do Planalto acredita que já não há mais motivos para que Alcolumbre impeça a nomeação de Jorge Messias. O temor é de que o presidente do Senado esteja esticando a corda contra o governo para negociar alguma outra reivindicação.
A desconfiança sobre o alinhamento do presidente do Senado aumentou nesta terça-feira, 3, depois que Alcolumbre decidiu manter a quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista) do INSS.
Alcolumbre argumentou que "não tinha como impedir", porque havia um parecer da área jurídica do Senado pela manutenção da decisão da CPMI. Apesar de o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), ter declarado que aceitava o argumento, caciques do PT acharam o argumento fraco. Presidentes do Senado costumam pedir aos funcionários pareceres jurídicos na direção que pretendem encaminhar.
Randolfe tem aliança com Alcolumbre no Amapá. O fato de ele ter legitimado a decisão de Alcolumbre foi visto não como uma um ponto de vista do governo, mas como resultado de sua aliança local com o presidente do Senado.
A desconfiança é de que, ao esticar a corda em Brasília, Alcolumbre na verdade busca mais apoio à reeleição do governador do estado, Clécio Luís, que está se transferindo do Solidariedade para o seu partido, o União Brasil. O governo federal não vê como possa dar mais apoio do que tem dado.
O adversário de Clécio Luís é o prefeito de Macapá, Doutor Furlan (PSD), afastado do cargo com seu vice a pedido da Polícia Federal. A PF argumentou querer aprofundar as investigações que apuram o possível esquema de fraude em licitação da Secretaria Municipal de Saúde.