Por: Tales Faria

"Não tinha como impedir", disse Alcolumbre sobre quebra de sigilo

Lulinha e Nikolas viram alvos de governistas e oposição na CPMI do INSS | Foto: Agência Brasil e Câmara dos Deputados

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse a um senador governista que não tinha como impedir a quebra do sigilo pela CPMI (Comissão Parlamentar Mista) do INSS de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os governistas acreditavam que Alcolumbre iria protelar por mais tempo a manutenção da decisão do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Na votação, Viana contou que sete dos 31 paralamentares aptos a votar se manifestaram contra a quebra de sugilo. Os governistas argumentaram que foram 14 de um total de 21 presentes.

Alcolumbre se baseou em parecer da consultoria jurídica que apontou como quórum válido quem não está presente, mas está apto a votar. "Ainda que se considere que o presidente da CPMI se equivocou na contagem daqueles que se levantaram contra os requerimentos, o número de votantes contrários demonstrado pelos autores não seria suficiente para ganhar a deliberação", disse o presidente do Senado.

Senadores e deputados do partido chegaram a desconfiar de que ele estivesse rompendo com o Palácio do Planalto, mas o líder do Governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou aceitar os argumento de Alcolumbre.

Os governistas agora mudarão de estratégia. Vão tentar incluir na CPMI o caso das viagens do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em jatinho de empresa ligada a Daniel Vorcaro na campanha presidencial de Jair Bolsonaro, em 2022.

A aeronave foi empregada em viagens por ao menos nove estados e o Distrito Federal ao longo de dez dias, durante a caravana "Juventude pelo Brasil" pró-Bolsonaro, no segundo turno da eleição.

Nikolas afirmou em nota distribuída à imprensa que desconhecia quem era o proprietário. Ele disse ter embarcado a convite do pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha de Minas Gerais, e que não houve qualquer vínculo dele com Vorcaro, suspeito de irregularidades na gestão do Banco Master.

Segundo disse, "mesmo que houvesse a tentativa de identificar o proprietário da aeronave naquele momento, não existia qualquer elemento que indicasse situação irregular [de Vorcaro] ou que justificasse questionamento".

O problema é que Lulinha está sendo convocado à CPMI por ter tido passagens e hospedagem durante viagem a Portugal pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Os dois teriam ido a Portugal para visitar um galpão e uma fábrica ligada à produção de cannabis para fins medicinais, ramo de negócio no qual Antunes pretendia entrar.

Lulinha afirma sido convidado para se associar ao Careca do INSS na empreitada e que, no entanto, o negócio não foi fechado e ele não recebeu nenhum pagamento do lobista.

Assim como Nikolas, ele argumenta que à época nada havia contra Antunes e, portanto, ele não podia antever que a proximidade poderia lhe trazer problemas. A oposição não aceita o argumento e promete lutar na CPMI para que os dois casos não se misturem, nem sofram comparações. A ideia é impedir a aprovação de qualquer requerimento convocando o deputado Nikolas.