Por: Tales Faria

Primeiras-damas abalam as campanhas eleitorais

Michelle Bolsonaro e Janja Lula da Silva | Foto: Montagem sobre fotos da agencia Brasil

A atual primeira-dama, Janja Lula da Silva (PT), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entraram com tudo na campanha eleitoral. Mas não foi da forma que queriam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL).

Ambas entraram exatamente por onde esperavam seus críticos: trazendo problemas para as campanhas. E ambas obrigaram seus maridos a vir a público em suas defesas.

Em carta divulgada neste domingo, 1, pela própria Michelle, o ex-presidente criticou ataques vindos de setores da própria direita à sua mulher e fez um apelo por unidade entre aliados:

"Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa."

Quanto a Janja, os aliados atribuem a seu exagerado envolvimento com a escola de samba Acadêmicos de Niterói, que apresentou no Carnaval uma homenagem a Lula, parte do crescimento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas para presidente.

Janja participou de ensaios da escola, levou equipe de Brasília a Niterói, com direito a jatinho do governo para conhecer o samba-enredo, e chegou a anunciar que desfilaria em carro alegórico. Na hora "H" o presidente a convenceu a não desfilar, mas o estrago já estava feito, segundo assessores.

Lula defendeu a esposa diante dos críticos e disse gostar muito do samba-enredo, mas que não teve injunção nos preparativos da homenagem.

De ambos os lados, as críticas se referem ao que seria a tentativa das primeiras-damas de mandar nas campanhas dos maridos. É uma crítica histórica, que atingiu quase todos os ex-presidentes da República, inclusive sobre a condução de seus governos.

Do lado das primeiras-damas os auxiliares, mesmo os mais críticos, admitem que elas têm um papel fundamental. É atribuída a Janja, por exemplo, a vitalidade do presidente Lula, do alto dos seus 80 anos. Nem seus adversários se atrevem a dizer que o presidente não tem forças para governar.

Lula parece cada dia mais feliz com sua vida, mais empenhado em conquistar apoios, mais disposto para a campanha e para brigas.

Nos Estados Unidos, Joe Biden, teve que desistir de se candidatar à reeleição, aos 81 anos, em meio a críticas por idade devido a gafes e confusão de nomes e datas nos pronunciamentos.

Quanto a Michelle Bolsonaro, as críticas parecem vir mais dos filhos do presidente, enciumados pelo desempenho da ex-primeira-dama nas pesquisas de opinião. Ela foi apontada como potencial candidata ao Palácio do Planalto e já lidera as pesquisas para o Senado pelo Distrito Federal.

Michelle teve atritos recentes com Flávio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que estavam incomodados com sua falta de entusiasmo na defesa da candidatura presidencial do filho Zero-Um do ex-presidente. Ela queria que o candidato da direita fosse Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Na carta que divulgou, Jair Bolsonaro deu a entender que este é problema. Pediu que Michelle só se envolva em questões políticas após o mês de março. Como diria o poeta, depois das águas de março.