Por: Tales Faria

Israel e risco de derrota eleitoral levaram Trump à guerra

Os presidentes Donald Trump (EUA) e Benjamin Netanyahu (Israel) | Foto: reprodução vídeo

É verdade que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi pressionado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a atacar o Irã. Ele havia marcado para este sábado a quarta rodada das negociações com o Irã quando Israel começou o ataque.

Trump seguiu o movimento iniciado por Netanyahu. Mas só se rendeu à pressão por ver na guerra a chance de abafar, no front interno, a queda de popularidade nas proximidades das eleições gerais de meio de mandato dos EUA, em novembro.

O presidente dos EUA vive um de seus piores momentos junto à opinião pública norte-americana desde op início do seu segundo mandato. Segundo os analistas políticos, a queda de popularidade é provocada por uma sucessão de erros, inclusive no tarifaço contra quase todos os países com que os EUA mantêm relações comerciais que resultou no mau desempenho da economia.

Isso se agravou com as críticas à violência do Serviço de Imigração (ICE na sigla em inglês) e a divulgação de detalhes sobre o envolvimento de seu antigo amigo, o bilionário Jefrey Epstein, numa rede de exploração sexual de menores.

As guerras têm servido historicamente para despertar o espírito patriótico e unificar a opinião pública em torno dos chefes do governo.

Serviram a Netanyahu, especialmente no caso da invasão de Gaza. Também serviram a outros presidentes dos EUA, como George W. Bush, no caso do Iraque.

Trump deu a largada nesse processo com as ameaças de invasão contra a Groelândia e o Canadá, e com a invasão real da Venezuela. Mas até este momento não surtiu efeito para melhorar sua popularidade. Agora ele resolveu dobrar a aposta com o Irã.

O problema é que, se essas guerras tazem um aumento rápido da popularidade dos chefes do governo, elas também acabam trazendo desgaste quando duram por muito tempo.

Trump declarou que pretende manter os ataques ao Irã até a queda do regime ditatorial dos aiatolás. Ele se apoia num momento em que o regime já vinha enfrentando protestos internos, o que lhe faz crer que não demorará para a guerra acabar.

É esperar para ver.