No Brasil, o senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tenta atrair o eleitorado que não é conservador com um discurso menos radical. Chega a usar termos antes condenados pelos bolsonaristas, como quando disse que agora quer o apoio de "todos, todes e todas" para a sua campanha.
Mas em palestra no domingo, 22, nos Estados Unidos, durante um evento da organização de mídia conservadora PragerU, fundada em 2009, o pré-candidato retomou a mesma retórica de quando defendeu uma intervenção do presidente norte-americano, Donald Trump, usando o tarifaço contra os produtos brasileiros.
Em vídeo que ele e seu irmão Eduardo reproduziram no canal do Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=fUQJsshf3aA), Flávio afirmou com todas as letras:
"O Brasil está se tornando uma plataforma para a influência antiamericana no hemisfério ocidental. Este é o cenário de pesadelos sobre o qual alertamos quando os governos socialistas permanecem no poder: eles não apenas destroem seus próprios países, mas também convidam os inimigos dos Estados Unidos para o nosso hemisfério."
Flávio acenou com os benefícios que os recursos naturais do Brasil trariam aos EUA para convencer de que é preciso uma intervenção dos norte-americanos sobre os destinos dos brasileiros.
"Temos reservas enormes de minerais essenciais, dos quais os Estados Unidos precisam desesperadamente para a tecnologia de Defesa. Temos minerais essenciais para tudo, de smartphones a jatos de combate. Agora mesmo, adivinhem quem está tendo acesso a tudo isso: os adversários dos Estados Unidos, enquanto o presidente socialista Lula da Silva faz uma ponte retórica antiamericana e alinha o Brasil com regimes autoritários. Os vastos recursos da nossa natureza estão fluindo para países que querem ver os Estados Unidos fracos."
Ele disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso "em uma cela comum". Distante milhares de quilômetros dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio também sentiu-se seguro para abandonar o discurso conciliador e voltar a atacar o ministro Alexandre de Moraes. Desta vez dizendo que o ministro transformou o STF em "um lar de corrupção".
"Porque esse cenário de pesadelo é exatamente o que o Brasil está vivendo hoje. [...] Meu pai, o [ex-]presidente Jair [Bolsonaro], aliado internacional e admirador de Donald Trump, está sentado esta noite em uma cela de prisão comum, não por corrupção, não por violência, não por quebrar qualquer lei real, mas por suas crenças conservadoras, por defender valores tradicionais, por se recusar a se curvar à agenda socialista. O mesmo ministro da Suprema Corte que o prendeu também transformou a mais alta Corte do Brasil em arma de perseguição política e um lar de corrupção. Ele censurou plataformas de mídia social, baniu vozes conservadoras, ordenou a prisão de jornalistas e reprimiu movimentos de oposição, tudo em nome da defesa da democracia. Isso soa familiar? Deveria, porque é exatamente isso que o estado profundo da esquerda, esse establishment, queria fazer com o Donald Trump."