O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), afirma que o centrão está "usando a fofoca" segundo a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria em busca de um emedebista para figurar como vice de sua chapa pela reeleição.
Segundo ele, "essa fofoca não caiu bem no partido e está inclusive atrapalhando a montagem das chapas nos estados". Motivo: é que a maior parte dos candidatos do MDB nos estados não quer aliança com os petistas.
"Na maioria dos estados, o MDB figura em palanques contra o PT. Aí os partidos de centro usam essa fofoca para tentar prejudicar a formação das nossas chapas. Muitos dos nossos candidatos a deputados federais não querem estar numa aliança com o PT nos estados", disse Baleia.
A coluna perguntou se, pelo menos, há conversas com o PT ou Lula sobre uma aliança. "Não há. Com a direção nacional, zero", respondeu.
Baleia sublinha que em seu estado, São Paulo, o maior eleitorado do país, o MDB "está fechado" com a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para governador.
"Aqui em SP o MDB nunca fez aliança com o PT em eleições estaduais. Nós temos coerência e somos parceiros do governador Tarcísio. Vamos manter nossa integridade e não mudamos de lado por cargo ou qualquer outro motivo menor."
O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), ensaiou candidatar-se a governador caso Tarcísio concorresse à Presidência. Mas o governador seguiu determinação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de deixar a candidatura ao Planalto para o filho Zero-Um, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Restou para Tarcísio disputar a reeleição e o prefeito Ricardo Nunes ficou sem espaço para tentar trocar seu gabinete no Edifício Matarazzo pelo Palácio dos Bandeirantes.
"O Nunes no Bandeirantes será o nosso projeto para 2030", afirma Baleia Rossi. Segundo ele, não vale a pena nem disputar o Senado.
"A administração do Ricardo Nunes na Prefeitura está muito boa. É o nosso maior cabo eleitoral. Não valeria a pena ele renunciar como prefeito para concorrer ao Senado. Melhor esperar 2030."
Essa "firme aliança" do MDB de São Paulo com Tarcísio de Freitas tem um efeito colateral sobre a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Como emedebista, ela teria muita dificuldade em transferir seu domicílio eleitoral para concorrer ao Senado por São Paulo em aliança com o PT, como se chegou a especular.
A transferência está praticamente descartada no partido.