Mesmo preso na Papudinha, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está comandando com mão de ferro a direita no país.
A maior demonstração de força do ex-presidente foi a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao presídio nesta quinta-feira, 29, seguida de entrevista vigiada de perto pelo filho Zero Dois do ex-presidente, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL).
Tarcísio seguiu o roteiro que o filho Zero Um do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), antecipou à imprensa sobre o encontro então marcado para o dia 22.
"Tarcísio vai ouvir da boca de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão descartadas para ele", disse Flávio.
Irritado pelo filho que Bolsonaro escolheu como candidato ao Planalto antecipar as ordens que receberia, o governador desmarcou aquela visita. Mas nesta quinta-feira acabou anunciando que estava mesmo enterrada a candidatura a presidente.
Não é só neste episódio que Bolsonaro dá as cartas. Com seu clã ele promove intervenções nos destinos dos aliados nas eleições estaduais.
Os Bolsonaro suspenderam as negociações do PL no Ceará, onde o partido já havia definido se aliar ao ex-governador Ciro Gomes (PDT). Foi no início do mês. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro protestou durante um evento no estado. "Com Ciro não dá", reclamou para surpresa de todos.
Só agora o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está conseguindo retomar as negociações, mas encontra dificuldades. Ele considera Ciro Gomes decisivo para enfrentar os petistas no estado.
Em Santa Catarina, o clã Bolsonaro desfez a chapa que o governador Jorginho Mello (PL) havia montado à reeleição tendo como candidatos ao Senado a deputada Carol de Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP). Bolsonaro pai transferiu o filho Carlos do Rio de Janeiro para o estado e forçou que ele seja candidato a senador.
Esperidião ou a deputada Carol de Toni (PL) terão que ser defenestrados. O PL rachou internamente, e partidos aliados como o MDB e o PP ameaçam romper.
Em São Paulo, o filho Zero três do ex-presidente que está em autoexílio nos EUA, ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), decidiu impor um amigo, o deputado estadual Gil Diniz, como candidato ao Senado. Atropelou a chapa que vinha sendo montada por Tarcísio de Freitas.
O governador havia definido que o ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (Progressistas), terá uma das vagas de candidato ao Senado e a outra ficaria entre a deputada estadual Rosana Valle (PL) ou o deputado federal Ricardo Salles (Novo). A esperança agora é que Tarcísio, tendo cedido na disputa pelo Planalto, consiga que Bolsonaro permita que ele faça a sua chapa em São Paulo.
"Imagina se eles voltam ao Palácio do Planalto com o Flávio eleito? Bolsonaro pai sai da prisão mais forte do que nunca. Será um verdadeiro ditador", comentou reservadamente um senador considerado pela família como aliado.
É o mesmo temor que têm o centrão e a Faria Lima com a candidatura de Flávio Bolsonaro.