Era grande a expectativa da imprensa sobre a reunião dos líderes partidários com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta quarta-feira, 28, para definir a pauta de votações do plenário.
O resultado foi aquém das expectativas: não há tempo para votar muitos projetos de agora até o Carnaval, e nem entre o Carnaval e o início do recesso de meio de ano. Depois vêm as eleições e o ano acaba.
Muito comentada na imprensa, a ideia de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master parece que não empolgou os líderes, nem o presidente da Câmara.
Perguntado sobre se Hugo Motta marcou data para a CPI ou comentou sua realização, o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), respondeu evasivamente que "ele não sinalizou nada, ficou de conversar depois"
A CPI é vista pelos políticos como uma espécie de "Caixa de Pandora" da mitologia grega. Primeira mulher criada por Zeus para punir a humanidade, Pandora, ao abrir por curiosidade um jarro (ou caixa) proibido, liberou doenças, guerra e inveja, males que os humanos não conheciam até então.
Essa expectativa de risco que a CPI traz está fazendo com que ela seja também chamada de "CPI do Fim do mundo", mesmo apelido dado à comissão criada em 2006 para investigar a relação entre um bicheiro ligado à nata oposicionista, chamado Carlos Cachoeira, e Waldomiro Diniz, o então assessor do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que lidava com loterias. A CPI perdeu o foco e acabaram surgindo denúncias para todos os lados.
Resultou na demissão do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT), e, depois, na cassação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), entre quase 50 nomes de praticamente todos os partidos atingidos.
O apelido também serviu a outras CPIs que, por envolver muitas figuras proeminentes, acabaram não dando em nada. Foi o caso da CPI da Manipulação do Futebol iniciada em 18 de maio de 2023 e que terminou em 06 de setembro num dia de bate-boca e sem votar o relatório final.
A CPI do Banco Master navega em águas turvas semelhantes. Também pode acabar sendo chamada de CPI do Fim do Mundo por envolver figuras proeminentes de todos os lados. E como as CPIs do Fim do Mundo anteriores, pode resultar em cassações para todos os lados, ou em acordos e confusões que levam a dar em nada.
Já foram alcançadas assinaturas para a abertura de três Comissões Parlamentares de Inquérito sobre o Banco Master no Congresso, uma na Câmara dos Deputados, encabeçada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), outra, no Senado, articulada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), e outra ainda reunindo deputados e senadores - chamada CPI Mista, ou CPMI - com os apoios juntados pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
Mas, assim com Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também não pensa em apressar a CPI na Casa. O centrão não está interessado. Segundo o senador Eduardo Girão, a abertura da CPI depende só da decisão de Alcolumbre, mas ele não teria se sensibilizado.
Afinal, o Master tem tudo para se transformar numa verdadeira caixa de Pandora carregada pelas mãos do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele circulou pelas altas rodas de todas as legendas.