O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deve entregar o cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias para se dedicar à campanha eleitoral na Bahia.
Wagner é candidato à reeleição como senador. Ele confidenciou a colegas que dará sua missão como cumprida com a aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A escolha de Messias para a Corte pelo presidente Lula provocou o rompimento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) com o líder. O presidente do Senado atribuiu a Wagner o lobby em favor de Messias, já que o advogado-geral foi assessor parlamentar do líder.
Alcolumbre havia indicado para o Supremo o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome que Lula prefere tentar convencer a se candidatar ao governo de Minas Gerais. Preterido para o Supremo, Pacheco ainda não aceitou concorrer a governador.
Quanto a Wagner, amargou um período difícil. Além do rompimento com o presidente do Senado, tornou-se alvo de duras críticas de aliados por ter participado do acordo de procedimentos que viabilizou a votação do projeto da dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. As críticas figuraram entre os assuntos mais comentados no Twitter naquela semana.
Mas o acordo permitiu a aprovação do imposto sobre bancos, bilionários e bets e do projeto de corte de 10% nas renúncias fiscais para empresas. O PT teve direito a votar contra a dosimetria, Lula vetou o projeto e ainda pousou para foto de campanha no Palácio do Planalto assinando o veto.
O rompimento com Jaques Wagner chegou a trincar a relação entre Davi Alcolumbre e o governo. Mas o presidente Lula o convidou para um encontro pouco antes do Natal no Palácio da Alvorada. Depois do encontro, Lula teria confidenciado a interlocutores que o caminho do Messias para o Supremo "está pacificado".
O próprio Alcolumbre telefonou para Jaques Wagner no Natal, quando os dois deram por encerrado o mau estar. O curioso da pacificação numa data cristã é que Wagner e Alcolumbre são os únicos judeus do Senado, brincou um senador amigo de ambos.
A saída de Wagner é o segundo movimento de uma reforma que o presidente Lula está promovendo no primeiro escalão do governo. O primeiro movimento foi a saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, cujo substituto ainda não está escolhido. No caso de Wagner, quem deve ficar no seu lugar é o senador Rogério Carvalho (PT-SE).
Há uma especulação de que Lula terá que substituir até 30 auxiliares que irão concorrer às eleições de outubro e precisam deixar seus cargos.
O caso mais complicado é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já anunciou a disposição de deixar a pasta para se dedicar à coordenação da campanha pela reeleição do presidente da República. Haddad disputou a Presidência em 2018 e especulava-se que poderia ser candidato a vice na chapa de Lula.
O presidente da República, no entanto, estaria mais disposto a convencer o ministro a disputar o governo de São Paulo, ou o Senado. O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), está cotado para continuar na chapa presidencial em outubro.