Vini Jr é um craque. Eleito o melhor do mundo pela Fifa. Um menino humilde de São Gonçalo, que se destacou na escolinha de futebol do Flamengo da cidade, e que hoje é uma das grandes esperanças da seleção brasileira na Copa do Mundo desse ano, em busca do hexa.
Vini Jr joga com garra, talento e alegria. Como diz o jornalista PC Vasconcellos, ele não celebra seus gols maravilhosos de acordo com o que os brancos racistas esperam de um jogador preto. Ele joga e celebra o futebol com alegria e a ginga brasileira. É ídolo no Brasil e no mundo e destaque do Real Madri, o clube mais vencedor da Champions League que, aliás, Vini Jr já conquistou com um belo gol na final de 2022 contra o Liverpool, no Stade de France.
Vini Jr se tornou símbolo da luta antirracista. Semana passada, num jogo em Lisboa contra o Benfica pela Liga dos Campeões, Vini fez o gol da vitória dos merengues e provocou, mais uma vez, reações racistas de torcedores que imitavam macacos e, dentro de campo, o atacante argentino do Benfica, Prestianni, o chamou por cinco vezes de macaco, com a boca tapada pela camisa. Racista e covarde!
Vini Jr é atleta de ponta, dos mais bem pagos do futebol internacional. Agora, imagine as situações de racismo que os jovens pretos que jogaram com Vinícius na escolinha do Flamengo em São Gonçalo e que hoje seguem suas vidas anônimas?!
Tenho muito orgulho de ter liderado a primeira lei em nosso país de cotas raciais nas universidades públicas do Rio de Janeiro. Como também a primeira lei no Brasil de cotas raciais para concursos públicos no estado.
Racismo se combate com políticas antirracistas. Não há outro meio mais eficaz. Além, é claro, da criminalização da prática racista.
Todos os dias, em todos os cantos do Brasil, há casos de racismo. Racismo explícito, aquele que permite a vítima denunciar o agressor, e racismo implícito, aquele que a pessoa preta é vítima de um olhar de desprezo, de estranheza por estar num ambiente que o racista acha que deve ser só de brancos. Seja numa sala de aula, em um restaurante ou num evento corporativo.
Astrogildo Pereira, intelectual da primeira metade do século XX, tinha toda razão: "há uma verdade no mundo: todo racista é filho da puta".
*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho