Ex-banqueiro e ex-governador de Minas Gerais, atribui-se a Magalhães Pinto uma das mais frases mais célebres da sabedoria política brasileira. Aquela que diz: “Política é que nem nuvem. A gente olha, está de um jeito. Olha de novo, já mudou completamente”.
Quem olhasse o céu da política após o primeiro turno das eleições presidenciais, veria nas nuvens um formato perfeito para o crescimento da direita no Brasil, talvez até com grandes possibilidades de uma conformação hegemônica. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saía dessa primeira volta à frente na corrida presidencial. E o PL conquistava as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado.
O final do segundo turno já mostrou as nuvens numa outra conformação. Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Flávio Bolsonaro. Que acabou em seguida fugindo para os Estados Unidos.
Os movimentos seguintes deram uma coloração de chumbo a essas nuvens. Pelo menos no que se refere aos planos da direita. A tempestade para os ultraconservadores tornou-se perfeita com a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições de meio de mandato.
Foi uma derrota acachapante. A apuração não terminou, mas, preliminarmente, os democratas fizeram 234 cadeiras na Câmara contra somente 139 dos republicanos, enquanto outras 62 seguiam em disputa na quarta-feira (4). No Senado, serão 54 democratas contra 44 republicanos. E foram eleitos 28 governadores oposicionistas a Trump contra 20 que são seus aliados.
Uma situação que nubla completamente os planos dos irmãos Bolsonaro – Flávio e Eduardo – de contar com Trump para pressionar politicamente o Brasil a partir dos Estados Unidos. As chances de Trump impor novas sanções, como o tarifaço, ficarão bem reduzidas. Imaginar algo mais drástico como o que ele fez na Venezuela ao depor Nicolás Maduro, nem pensar. Trump é a partir de agora um “lame duck”, um “pato manco”, como os norte-americanos chamam os presidentes que saem enfraquecidos dessas eleições de meio de mandato.
E, por aqui, a banda da direita já começara a tocar em outro ritmo. A vitória por unanimidade que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) obteve na PEC da Segurança o coloca muito forte no páreo para se manter no comando do Senado no ano que vem. O fato de a direita sair dividida com duas candidaturas – Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) – só o ajuda nos seus planos. Da mesma forma, na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) monta uma grande frente a seu favor. Que a desistência de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) só facilita.
Se o céu da política seguirá assim daqui até fevereiro, quando o Congresso voltar na nova legislatura, não há meteorologista que possa saber. Afinal, já dizia Magalhães Pinto, “política é que nem nuvem”….
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