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Berzoini e Cappelli concordam: falta "pulso" a Lula

Berzoini e Cappelli concordam: falta "pulso" a Lula
Cappelli: abandonaram a cúpula da PF pelo caminho Crédito: Pedro Freire/Correio da Manhã

Na sabatina do Correio da Manhã nesta terça-feira (8), o candidato do PSD ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, comentou a atual crise do Supremo Tribunal Federal. Ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça, de onde saiu para ser o interventor no Distrito Federal na área de segurança após o 8 de janeiro de 2023, Cappelli avalia que o governo Lula se arrasta junto na crise do Supremo por "falta de pulso". No início da tarde de terça, Cappelli espantava-se com o fato de, até aquela hora, não haver nenhum pronunciamento do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, sobre a determinação do ministro do STF André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em solidariedade a Rodrigues, toda a cúpula da PF também pediu afastamento. "E o ministro da Justiça não fala nada?", questiona Cappelli.

 

Berzoini: "Lula não é mais o favorito"

Berzoini: "Lula não é mais o favorito"
Berzoini: campanha de Lula está fraca Crédito: PT

Numa linha mais ampla, outra importante figura da esquerda, o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, cobra também uma campanha mais dura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao partircipar no fim de semana do Fórum Eleições, da TV Fórum, Berzoini disse considerar que, a essa altura, Lula "não é mais o favorito" nas eleições. E Berzoini fizera essa avaliação antes das duas pesquisas mais recentes. Na segunda (7), a Genial/Quaest apontou empate em 41% entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

BTG mostrou Flávio à frente

Nesta terça, a BTB/Nexus mostra pela primeira vez Flávio à frente de Lula num eventual segundo turno: 46% a 45%. É um empate, dentro da margem de erro, mas não deixa de indicar uma ultrapassagem do principal adversário do presidente, que tenta a reeleição. Para Berzoini, a "campanha está aberta", e isso se deve, na sua avaliação, pela opção por uma campanha menos agressiva. Berzoini acha que a campanha de Lula precisava partir mais diretamente para o confronto, até porque Flávio Bolsonaro adota um tom mais moderado.

Ossos e pandemia

Para o ex-presidente do PT, seria preciso colar mais Flávio aos problemas havidos no governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há determinada imagens do governo Bolsonaro, na avaliação de Berzoini, que deveriam ser resgatadas. Questões ligadas à pandemia de covid-19, que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil. As cenas de pessoas disputando ossos em razão dos problemas econômicos.

Pulso

Embora tenha focado mais na questão específica do STF e de como se coloca perante a crise, Ricardo Cappelli, foi na mesma linha. Segundo nome de Flávio Dino no Ministério da Justiça, ele não imagina que houvesse na ocasião o mesmo silêncio. O eventual temor de se ver misturado à crise do Supremo não pode pode levar à inação.

Chefe

O ministro da Justiça é o chefe do diretor da Polícia Federal. E o chefe do ministro da Justiça é o presidente da República. O silêncio quanto à determinação de Mendonça, avalia Cappelli, parece significar que o governo de alguma forma corrobora as suspeitas do ministro do STF de que houve pela parte da Polícia Federal uma ação política.

Pelo caminho

"Não podia o Ministério da Justiça abandonar desse jeito a cúpula da PF no caminho", disse Ricardo Cappelli. Voltando a Berzoini, ele prega um tom mais veemente com relação a todos os pontos da campanha. Para ele, não basta ao governo somente ficar apresentando suas eventuais realizações ao longo dos últimos quatro anos.

Indecisos

Lula precisa confrontar seu adversário, para desconstruí-lo como eventual escolha de quem ainda não tem candidato, considera Berzoini. Alguns analistas avaliam que mais que o que mais prejudica Lula é a percepção da sociedade de que as coisas estão mais caras e piores. Lula precisaria puxar a memória do eleitor sobre como era antes.

Grass

Mais próximo hoje da disputa no Distrito Federal, Berzoini cita como exemplo a mudança de postura do candidato do PT ao GDF, Leandro Grass. No debate promovido pelo Correio Braziliense, Grass foi para cima da governadora Celina Leão (PP), cobrando dela responsabilidade pelos problemas ocorridos no governo Ibaneis Rocha (MDB).

Empatou

Celina era a vice de Ibaneis. E só disputa a reeleição porque ele renunciou e ala assumiu. "Onde você estava?", questionou Grass, que passou a usar fortemente esse corte na campanha. Seja por isso, ou não, o fato é que na pesquisa Atlas/Intel divulgada em 3 de setembro, Grass apareceu em segundo lugar, empatado com Celina na margem de erro.