Renan tem dificuldade de crescer no eleitorado femininoCrédito: Reprodução/TV Globo
Um dos principais especialistas na análise do uso político das redes sociais, o cientista de dados Alek Maracajá tem acompanhado de perto as evoluções das candidaturas de Renan Santos, do Missão, e de Augusto Cury, do Avante. Que apontam para duas situações curiosamente distintas. Maracajá observa que ambos têm desempenhos muito semelhantes nas redes sociais, com um número muito grande de seguidores, muito engajamento e muito compartilhamento. Mas a maneira como esses desempenhos se revertem de fato em intenções de voto nas pesquisas é totalmente diverso no caso de um e de outro. A Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) é a quarta pesquisa a mostrar Cury em terceiro na corrida eleitoral. E a terceira em que ele aparece acima dos dois dígitos, no caso com 10%. Enquanto isso, Renan Santos surge somente com 3%.
52% do eleitorado é feminino
Maior parte dos leitores de Cury são mulheresCrédito: Lima Andruška/Wikimedia Commons
Embora esteja à frente de Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que aparecem com 1% cada um, Renan Santos parece mais próximo desse bloco da parte de baixo da tabela. Enquanto Cury surge 19 pontos atrás de Flávio Bolsonaro e 27 atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Alek Maracajá, essa dificuldade de Renan Santos em reverter seu desempenho digital em votos decorre do fato de ele ter muita dificuldade de se aproximar do eleitorado feminino.
Cury cresce como alternativa
Ser um candidato "red pill" num país em que 52% do eleitorado é feminino criaria para Renan Santos ele uma grande dificuldade. A análise de Alek Maracajá foi feita ao responder a uma pergunta do Correio Político no programa Direto de Brasília, do jornalista Magno Martins em parceria com a Folha de Pernambuco. "Renan tem um ponto de muita dificuldade, que é penetrar no mundo das mulheres", avaliou Maracajá. Com isso, ele ficaria mais preso à sua própria bolha, enquanto Augusto Cury consegue ultrapassar a sua.
Maioria dos leitores de autoajuda são mulheres
Soma-se a isso um outro dado. De acordo com o Panorama do Consumo de Livros, da Câmara Brasileira do Livro, 61% do total de consumidores de livros de autoajuda são mulheres. Augusto Cury é autor de 70 livros, a maioria de autoajuda, com títulos como O Vendedor de Sonhos e O Homem mais Feliz da História. Vendeu entre 35 milhões e 40 milhões de livros.
"Grande surpresa"
"Acredito muito que a gente está indo para o despertar da terceira via. Cury é a grande surpresa", afirmou Maracajá. Para o cientista de dados, a consolidação desse desempenho que apareceu nas pesquisas eleitorais desta semana precisará ainda ser observado, para se verificar se terá consistência. "Mas já provocou uma mudança no cenário".
Microinfluenciadores
O cientista de dados atribui o crescimento de Cury a uma combinação de dois fatores. A partir do debate da Band, ele conseguiu ter exposição nos veículos de grande alcance. Combinou isso, então, com uma operação digital baseada na circulação de cortes e na participação de microinfluenciadores de diferentes segmentos.
2 milhões
Com isso, segundo o levantamento feito por Alek Maracajá, Augusto Cury subiu de 8,3 milhões de seguidores para 10,8 milhões após sua participação no debate da Band e na sabatina do Jornal Nacional. "O grande segredo hoje do mundo digital é atenção, e ele conseguiu puxar a atenção para ele", resumiu Maracajá.
Cortes
O cientista de dados explica isso a partir da forma como Cury se utilizou de sua participação na sabatina da TV Globo. Enquanto adversários tentavam mostrar o candidato do Avante como um produtor de ideias mirabolantes e fora de órbita, Cury fez seus próprios corte, reduzindo o que houve de críticas aos seus posicionamentos.
Propaganda
Isso marca uma forma nova na utilização dos momentos da campanha eleitoral na TV, seja em debates e sabatinas seja mesmo no horário de propaganda eleitoral. Para Maracajá, a propaganda eleitoral passa a ser menos pensada como um programa de TV e mais para a internet, para a possibilidade de cortes e na estratégia pensada.
IA
Maracajá concorda com um ponto que outros especialistas já trouxeram para o Correio Político. O grande desafio das eleições deste ano e das próximas será regular o uso da Inteligência Artificial. Para o cientista de dados, a Justiça Eleitoral não tem estrutura para acompanhar esse uso. "Não tem braço nem perna para poder fiscalizar".
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