Rejeições de Lula e Flávio definirão eleiçãoCrédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Lula Marques/Agência Brasil
Os analistas de pesquisa gostam de usar um número mágico para avaliar as possibilidades de reeleição dos "incumbentes", como chamam aqueles que disputam o cargo no mandato. O número mágico é 47%. Nessa avaliação, candidatos que têm uma aprovação abaixo de 47% teriam probabilidade muito baixa de reeleição. Por esse raciocínio, essa parece ser a situação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a Genial/Quaest divulgada no dia 2, ele tem 45% de aprovação. O CEO e fundador do Instituto Indexa, Arilton Freres, tem cautela quanto a essa conclusão automática. "O Brasil tem circunstâncias muito próprias que precisam ser levadas em consideração antes de se adotar um padrão automático de experiências no exterior", disse ele ao Correio Político. Para ele, a polarização política tornou a disputa eleitoral brasileira uma competição de rejeições.
Vale a máxima de Tom Jobim
Augusto Cury parou de subir nos últimos diasCrédito: Reprodução/vídeo
Assim, por aqui sempre vale a máxima do genial maestro Tom Jobim: "O Brasil não é para amadores". A construção da análise que torna os 47% de aprovação um número mágico desconsidera uma série de outros fatores na acirrada disputa brasileira, que coloca de um lado um entusiasmado time de lulistas, do outro um igualmente fanático time de bolsonaristas, e, no meio, um grupo que gostaria de ter alternativas mas não as encontra. É preciso lembrar: se a rejeição de Lula é alta, a de Flávio Bolsonaro também é.
Rejeição de Flávio é maior que de Lula
De acordo com a mesma pesquisa Genial/Quaest, a rejeição a Flávio Bolsonaro (PL), o principal adversário do presidente, é maior que a de Lula. Flávio tem rejeição de 55%, Lula de 53%. "No final, isso é o que parece que decidirá as eleições deste ano", considera Arílton Freires. "De que a sociedade tem mais medo? Da continuação do lulismo ou da volta do bolsonarismo?". As pesquisas ainda não mediram os impactos das últimas notícias sobre o caso Master. Essa repercussão poderá definir para onde pende a balança.
STF e Moraes
No momento, as acusações contra o ministro Alexandre de Moraes e sua briga contra André Mendonça desgastam o Supremo Tribunal Federal (STF). Arílton observa que seria baixa a chance de Lula evitar que a crise que desgasta Moraes não o atinja. "Boa parte da sociedade considera que Moraes age no STF alinhado com o governo", diz ele. Uma evolução incrível na trajetória de Moraes.
Lulinha
Moraes foi escolhido para o STF por Michel Temer, alguém que o PT considera ter dado um golpe em Dilma Rousseff. Por outro lado, o caso afastou do noticiário as acusações de envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo do INSS. "Em certa medida, isso também beneficia Lula", considera. Teria maior potencial de desgaste.
Dark Horse
A semana terminou com a possibilidade de surgimento de novas informações sobre o caso Dark Horse. O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, mediador dos repasses de Daniel Vorcaro, do Master, para o filme Dark Horse, negocia uma delação premiada, que foi encaminhada ao STF pela Procuradoria-Geral da República.
Precificado
Para Arílton Freres, a volta da aproximação de Flávio com relação a Lula, com situações de empate no segundo turno, mostraria que, no momento, o caso Dark Horse parou de desgastá-lo. Embora ainda faltem as devidas explicações sobre os repasses, o eleitor já teria "precificado" o caso Dark Horse. Os votos não foram para outros.
Cury
No meio disso tudo, há, porém, o fenômeno Augusto Cury (Avante). Arílton Freres aponta que seu crescimento, passando para terceiro e ficando com mais de dois dígitos em três pesquisas nacionais, já vinha sendo observado pelo Indexa em pesquisas estaduais que o instituto está fazendo. A primeira constatação deu-se no Maranhão.
Maranhão
Trackings preliminares no Maranhão começaram a apontar Augusto Cury com 10% das intenções de voto no estado. Isso chamou a atenção dos pesquisadores, e se confirmou depois, com Cury alcançando 9% no estado. No Amapá, pesquisa o apontou com 8%. "É um crescimento que aconteceu em todos os estados", diz Arílton.
Parou
Segundo Arílton, no entanto, Augusto Cury teria parado de subir. "É preciso ver agora se o eleitor irá mesmo em busca de alternativa", observa. Ou ficará mesmo entre Lula e Flávio. Na última Indexa, ambos tinham a mesma rejeição de 49%. "Ou seja, é um número proibitivo para ambos. Nesse cenário, portanto, a rejeição é que vai decidir a eleição".
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