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Gaspar na vice de Flávio é aposta na crise do INSS sobre Lula

Gaspar na vice de Flávio é aposta na crise do INSS sobre Lula
Flávio e Alfredo Gaspar: mais uma chapa pura Crédito: Instagram/Valdemar Costa Neto

Nem a Velhinha de Taubaté - célebre personagem do saudoso Luís Fernando Veríssimo - acreditaria na declaração feita pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que o deputado Alfredo Gaspar (AL) já estava escolhido há seis meses para ser o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Poucas horas antes de Gaspar ser anunciado por Flávio como seu companheiro de chapa o deputado postara nas suas redes sociais que disputaria uma vaga no Senado por Alagoas. Não era um despiste. Esse era mesmo o seu plano. A escolha de Alfredo Gaspar foi construída em reuniões desde quarta-feira (4). E decorre de uma série de situações, que este Correio Político irá detalhar nas notas desta coluna. Mas especialmente decorre de uma aposta de que o escândalo do INSS é o caso de maior potencial de dano para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Gaspar pediu indiciamento de Lulinha

Gaspar pediu indiciamento de Lulinha
Tereza Cristina chegou a aceitar o convite de Flávio Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Alfredo Gaspar foi o relator da CMPI do INSS. Em seu relatório, ele pedira o indiciamento do filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Pedira também a prisão preventiva de Lulinha. Acrescentara ao pedido pessoas ligadas ao governo como o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, presidente do PDT, que se coligou à chapa de Lula pela reeleição. Na ocasião, na madrugada do dia 28 de março, o governo conseguiu organizar sua tropa na CPMI e derrotou o relatório de Alfredo Gaspar.

"Será explorado"

A história contada por Valdemar de que o nome estava escolhido há seis meses fez com que os presentes ao anúncio, na manhã de quarta (5), no mesmo auditório do Brasil 21 onde ocorreu a convenção do PSB que homologou Geraldo Alckmin o candidato a vice de Lula, negassem a vinculação da escolha por Gaspar ao fato de ter sido relator da CPMI do INSS. Mas o senador Carlos Portinho (PL-RJ) reconheceu ao Correio Político que essa vinculação será explorada. "Certamente", disse Portinho.

Eixo de desgaste

"Tudo o que ele revelou está sendo confirmado", avalia Portinho. "Ele foi na CPMI do INSS peça fundamental. Mostrou competência, capacidade de investigação", continua. "O aposentado deve estar surpreendido com os valores desse roubo que escalou". Há, portanto, neste momento uma avaliação dentro do PL de que os últimos episódios viraram para Lula o eixo de desgaste da campanha.

Não ampliou

Nada disso, porém, significa imaginar que tenha sido tudo estrategicamente pensado. A escolha por Alfredo Gaspar decorre do fato de Flávio e o PL não terem conseguido ampliar a coligação como pretendiam. Flávio também não conseguiu encontrar, como pretendia, uma mulher para ser sua candidata a vice-presidente.

Neutralidade

As mulheres pensadas até estavam no anúncio de Alfredo Gaspar. As senadoras Tereza Cristina (PP) e Damares Alves (Republicanos) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (também do Republicanos). Elas foram prestar apoio, mas seus partidos preferiram marcar uma posição de neutralidade com relação à campanha presidencial.

Chapas puras

A situação levou Flávio a optar por uma chapa pura. E não será a única. Ronaldo Caiado, do PSD, sai também com chapa pura. E também Romeu Zema, do Novo, e Renan Santos, do Missão. Somente Lula conseguiu ampliar sua coligação. Mas somente com outros partidos de esquerda. A atração de partidos de centro desta vez ele não conseguiu.

Política mudou

Tudo isso decorre de uma mudança na lógica política brasileira. As grandes coligações estavam no cerne da ideia do "presidencialismo de coalizão". Num país pulverizado com vários partidos, era a forma encontrada de se obter maioria. Os presidentes fechavam com os aliados, dando em troca ministérios com cofre e caneta.

Grana mudou de lugar

Com isso, os partidos se financiavam e ampliavam seu poder. Eles não precisam mais disso. A grana grossa passou a ser a dos Fundos Partidários e Eleitoral. E quanto mais livres os partidos estiverem nos estados mais têm chance de eleger deputados federais, a base para o cálculo desse dinheiro. E a outra fonte de grana grossa é o orçamento.

Orçamento

A liberação das emendas orçamentárias em grande parte também hoje independe do governo. O prejuízo das chapas puras é o tempo menor de propaganda de rádio e televisão. Mas hoje os partidos e seus marqueteiros também apostam que essa propaganda diminuiu de importância. A campanha é principalmente na internet.