Correio da Manhã
cORREIO político

Terceira via tem metade dos votos de Flávio Bolsonaro

Terceira via tem metade dos votos de Flávio Bolsonaro
Zema está a 30 pontos de Flávio Bolsonaro Crédito: Rudolfo Lago/Correio da Manhã

A experiência brasileira desde a redemocratização demonstra que não se deve dar como favas contadas pesquisas faltando mais de três meses para a eleição. Em julho de 2018, por exemplo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha 33% das intenções de voto numa pesquisa do Ibope. Jair Bolsonaro (então no PSL) tinha 15%. Lula acabou preso e não disputou as eleições, que foram vencidas por Bolsonaro. Agora, pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27) mostrou Lula com 42% no cenário estimulado de primeiro turno. Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), tem 33%. A experiência mostra que muita água pode rolar por debaixo da ponte daqui até outubro. Mas a mesma pesquisa BTG/Nexus traz indicações que uma reversão do atual quadro de polarização entre Lula e Flávio vai ficando cada vez mais difícil. Eles estão muito à frente dos demais candidatos.

 

Somados, todos os demais têm somente 17%

Somados, todos os demais têm somente 17%
Lula precisaria de mais oito pontos para primeiro turno Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

A pesquisa até mostra movimentos entre os candidatos, mas em um ritmo muito pequeno. Que até podem não ter acontecido mesmo, se levada em conta a margem de erro. Lula subiu dois pontos, passando de 40% na rodada de 13 de julho para 42%. Mas voltou para o mesmo percentual que tinha na rodada de 29 de junho. Flávio caiu de 34% para 33%. Mas é o mesmo percentual que tinha na rodada de 15 de junho. Outras pesquisas mostram os dois líderes em percentuais parecidos.

Flávio cai, Lula sobe, mas em ritmo pequeno

Há possibilidade de esses movimentos de ascensão de Lula e de decréscimo de Flávio levarem a eleição a ser decidida no primeiro turno? Bem, Lula estaria a oito pontos percentuais dessa possibilidade. Flávio e os demais candidatos hoje somam 50%. Para Lula vencer no primeiro turno, ele precisaria ter a soma dos votos dos demais candidatos, descontados os votos nulos, em branco e as abstenções. Na BTG/Nexus, eles hoje somam exatamente 8%. A hipótese tem, porém, um problema: a pesquisa aponta alta certeza dos votos.

73% dizem já ter decidido seu voto

Segundo a BTG/Nexus, 73% dos entrevistados dizem já ter decidido o seu voto, e afirmam que não irão mudar. Esse percentual aumentou três pontos com relação à rodada anterior, mas já foi maior em 29 de junho: 74%. Em contrapartida, o percentual de quem admite poder mudar de voto caiu quatro pontos, de 29% para 25%. Voltou também ao patamar de 29 de junho.

Pró e contra

Para Marcelo Tokarski, CEO do Nexus, instituto responsável pela pesquisa, o cenário vai apontando mesmo para uma eleição polarizada, na qual a rejeição será o fator decisivo. Como, aliás, já acontecera em 2022 e também em 2018. "A eleição vai se consolidando cada vez mais em ser pró e anti-Lula", observa Tokarski.

2o turno

"Prova disso é que todos os demais candidatos mostram competitividade num eventual segundo turno contra Lula", observa Marcelo Tokarski. Contra Flávio, Lula tem 47% e ele 43%. Flávio caiu um ponto. Contra Zema, 46% a 42% (Lula caiu um ponto e Zema subiu um). Contra Caiado, 45% a 43% (Lula caiu dois pontos, Caiado subiu cinco).

Rejeição

A própria leitura do percentual de rejeição das candidaturas será fator decisivo. Os dois nomes que despontam com larga vantagem têm, ambos, rejeição bem alta. Mas a rejeição de Flávio Bolsonaro é ainda mais alta que a de Lula. O percentual daqueles que dizem que não votariam em Lula é 48%. A rejeição de Flávio é de 50%.

Para onde irão?

Para onde irão, então, os eleitores dos demais candidatos? Se o raciocínio ideológico fosse preciso, a conclusão seria que a maioria desses votos iria para Flávio, uma vez que a maioria dos demais candidatos também têm perfil mais à direita. Mas não é bem assim que o raciocínio do eleitor se movimenta. Se fosse, não haveria alternância.

Indecisos

As eleições presidenciais movimentam-se, assim, na busca dos eleitores ainda indecisos que, a julgar pela pesquisa BTG/Nexus são hoje poucos. Mas ainda com potencial de determinar o resultado, como vimos. As convenções realizadas até agora mostram estratégias diferentes dos candidatos e partidos para conquistá-los.

"Sistema"

O PL apostou no discurso "antissistema". O PSD no discurso do "sistema": é "tranquilidade e previsibilidade". Romeu Zema do Novo foi nesta segunda em linha parecida à do PL: o cidadão até então fora da política que se move por indignação. Curioso é Lula hoje ser o "sistema". Na oposição e para sua militância ainda, ele é contra.