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Tarcísio treta com Simone e expõe a novidade: o turismo político

Tarcísio treta com Simone e expõe a novidade: o turismo político
Tarcísio é carioca e torcedor do Flamengo Crédito: Reprodução Instagram

Bem poderia ter saído da mente de um roteirista de sitcom. Mas aconteceu de verdade. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou as ministras do Meio Ambiente Marina Silva e do Planejamento Simone Tebet por terem abandonado seus estados de origem para concorrer ao Senado pelo estado que ele governa. "Não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram esse estado para servir", bradou Tarcísio. Se fosse um roteiro de sitcom, era o momento em que entram aquelas gargalhadas da plateia. Porque Tarcísio de Freitas é carioca, torcedor do Flamengo. Transferiu-se para São Paulo em 2022 estimulado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Nunca tinha morado no estado que passou a governar. "Não há outro termo", comenta o advogado e analista político Melillo Dinis. "É hipocrisia", continua. "Mas o fenômeno tem explicação".

 

Fenômeno ampliou‑se nesta eleição

Fenômeno ampliou‑se nesta eleição
Carlos turista em Santa Catarina Crédito: Reprodução/Instagram

Essas não são as primeiras vezes que um político muda de estado por conveniência e cálculo. Gaúcho e ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola trocou os Pampas pelo Rio de Janeiro e lá se tornou governador na década de 1980. Depois que deixou a Presidência com a popularidade em baixa e temendo riscos de processo caso ficasse sem foro privilegiado, José Sarney trocou o Maranhão pelo Amapá. "Mas eram casos esporádicos", observa Melillo. "Isso está se ampliando".

De Santa Catarina ao Amapá

Na nova leva, São Paulo foi o estado pioneiro com seu governador carioca. Também em 2022, Marina Silva trocou o Acre para tentar uma vaga de deputada federal pela Rede. Não conseguiu. Tenta agora o Senado. Simone Tebet fez a mudança agora, deixando o Mato Grosso do Sul pela garoa paulista. Dois dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan e Carlos (PL), saíram de Brasília e do Rio de Janeiro e foram viver em Santa Catarina. Vereador em Balneário Camboriú, Jair Renan é candidato a deputado federal. Carlos ao Senado.

Há um problema na representação

Também do Rio, o deputado bolsonarista Hélio Lopes transferiu-se para o Amapá também para tentar por lá o Senado. Em tudo isso, há um evidente problema na lógica original da representação parlamentar. Deputados e senadores representam os estados que os elegem. Vão para o Congresso defender os interesses desses estados e resolver os seus problemas. Quem mora em outro lugar não conhece esses problemas.

Mundo virtual

Para Melillo, a primeira explicação desse fenômeno decorre do mundo virtual. Os políticos já não fazem seu trabalho percorrendo bairros e ruas das suas cidades, em comícios, distribuindo panfletos. Fazem política nas redes sociais. "Tanto faz, então, onde eles de fato estão. Políticos de outros lugares se tornam conhecidos onde não moram".

Cálculo

Onde o partido, então, irá alocar determinado político deixa de depender tanto da relação que o candidato escolhido tem com a comunidade na qual irá disputar os votos. Mas do cálculo relacionado à chance de ganhar. Tomando um exemplo antigo: ao deixar o Maranhão, José Sarney deixou de competir com seus filhos, Roseana e Sarney Filho.

Dinheiro

Seria ingênuo não concluir que tal cálculo passa também por dinheiro. Como se brinca, dirigir um partido tornou-se um dos melhores negócios. Recebem recursos baseados nos desempenhos nas eleições para deputado federal. O PL, por exemplo, elegeu 99 deputados em 2022. A performance garante cerca de R$ 1 bilhão aos cofres.

Dá certo

A prática mostra que o turismo político dá certo. A Revolução Constitucionalista de 1932 fez aniversário na quinta-feira (9). Exemplo maior do orgulho que o paulista tem de seu estado. Mesmo assim, aceitaram ser governados por um carioca, favorito para um novo mandato. Marina e Simone é que lideram a corrida para o Senado.

Reações

Nunca se turistou tanto na política brasileira. Mas o exagero gera, no entanto, reações. Parte delas está acontecendo em Santa Catarina. Ali, as transferências dos Bolsonaros 02 e 04 não levaram em conta um vácuo local a ser ocupado. Os catarinenses tinham opções conservadoras locais e já estavam construindo suas alianças nesse sentido.

Carlos

Isso, então, gerou certo descontentamento. Jair Renan, o carioca de Balneário Camboriú, parece ter boa chance de se eleger deputado. Mas há quem diga que pode acabar virando o único Bolsonaro eleito. Carlos aparece em segundo para o Senado, atrás de Caroline de Toni (PL). Mas o magoado Esperidião Amin (PP) está nos seus calcanhares.