Correio da Manhã
CORREIO POLÍTICO

Master: ruim para Flávio, talvez nem tanto para o PL

Master: ruim para Flávio, talvez nem tanto para o PL
Valdemar: escanteado ou deslocado para onde prefere? Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

Ao ler a coluna na edição do fim de semana, o cientista político Isaac Jordão fez uma observação que levanta um ponto interessante sobre a situação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na condução da campanha à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (RJ). Se é verdade que Valdemar está escanteado do processo, cuidando apenas da eleição dos deputados federais, por outro lado essa pode ser também uma boa opção para ele. Eleger uma bancada com mais de cem deputados federais é o plano de Valdemar, para que o PL continue a ter a fatia mais gorda do fundo partidário. E, aí, pode haver um paradoxo na situação. O que é muito ruim para Flávio pode não ser assim tão ruim para o PL.

 

Crise atinge quem concorre com o PL

É claro que bem melhor seria para Valdemar eleger o presidente da República e a maior bancada de deputados. Mas Jordão avalia que pode acabar se produzindo aí uma situação de "vão-se os anéis, ficam os dedos". Valdemar tem uma incrível capacidade para se meter em rolos. Foi condenado e preso no Mensalão do PT e escapou por pouco no julgamento do golpe. Mas no caso Master não há notícia de envolvimento dele.

União Brasil e PP bem envolvidos

União Brasil e PP bem envolvidos
Vorcaro e Ciro: relação desgastou presidente do PP Crédito: Reprodução

Ao contrário, o caso Master fustiga os presidentes do União Brasil e do PP, Antônio Rueda e Ciro Nogueira. Os dois partidos, unidos em federação, disputam um mesmo campo de eleitores conservadores do PL. O caso já atingiu em cheio Ciro Nogueira, com a história de dinheiro e viagens (como uma para os Alpes Suíços). Ciro já foi alvo de operação policial. E há informações de que pode avançar sobre Rueda. Tal situação, imagina Jordão, pode desestabilizar os dois partidos nas suas conduções de estratégias eleitorais.

No fundo, preserva‑se do desgaste

Desconfia o cientista político que, separando a condução das campanhas proporcionais da campanha presidencial, o PL acaba preservando o partido como um todo de ter de atuar para amenizar a crise do Master. Fica a gestão dessa crise para a campanha presidencial, sem envolver quem nada tem diretamente com ela, que pode conduzir sua campanha em cada estado e região.

Alianças

O maior prejuízo que Valdemar teria ficando fora das decisões a respeito da campanha presidencial é não estar à frente da definição das alianças regionais. É um problema? Não exatamente para as eleições para deputado federal e estadual. Pela legislação, não há coligação para eleições proporcionais.

Ciro

A semana terminou com especulações de que o PP estaria disposto a ficar neutro e fora da aliança com Flávio por não ter gostado das reações do senador depois que Ciro Nogueira foi alvo de operações da PF envolvendo a crise do Master. E o PL diz também que tratar de alianças não é a prioridade agora.

Convenções

Diante do rolo, parece mais forte a hipótese de que a oficialização ou não de alianças só venha a acontecer mesmo no momento das convenções partidárias no mês que vem. Há a possibilidade de Flávio vir a conversar com Ciro. Mas, neste momento, as chances parecem maiores de não vir a ser fechada uma aliança.

Listas

A formulação das listas partidárias envolve um cálculo sofisticado no qual o comando escolhe tanto os candidatos que têm maior chance de eleição quanto aqueles que vão ter boa votação, mas não suficiente para se elegerem. Engordam os votos para os demais. Hoje se consegue quase cem por cento de acerto sobre quem será eleito.

Coligações

Sem coligações proporcionais, partidos aliados na eleição majoritária que atuam junto ao mesmo segmento de eleitorado acabam sendo concorrentes na eleição proporcional. Os candidatos a deputado de um partido não irão puxar votos para os candidatos a deputado do outro. Eles irão disputar com eles.

Fora

Por isso, Isaac Jordão desconfia que o escanteio de Valdemar talvez não seja assim um desprestígio. Mas o deslocamento para cuidar do que realmente gosta e o interessa. O fundo partidário distribuirá R$ 4,9 bilhões. O PL é quem recebe mais. Valdemar tem 881 milhões de razões para focar na eleição proporcional.