Correio da Manhã
CORREIO POLÍTICO

De volta à Master crise do MDB do DF

De volta à Master crise do MDB do DF
Ibaneis anunciou rompimento com Celina Leão Crédito: Reprodução/ Instagram

Será nesta quinta-feira (11) que a Executiva Nacional do MDB decidirá se haverá ou não intervenção no diretório do partido no Distrito Federal. E, como mostramos na terça-feira (9) no Correio Política, a situação é das mais complicadas. Uma Master crise, consequência de todo o rolo provocado pelas negociações do BRB para comprar o banco de Daniel Vorcaro e o rompimento posterior, a partir do episódio, do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) com sua sucessora, a atual governadora Celina Leão (PP). Em torno da crise, se o partido fará parte ou não da chapa de Celina ou se lançará candidato próprio ao GDF - no caso, o deputado federal Rafael Prudente. E se Ibaneis Rocha sairá mesmo para o Senado.

 

Situação longe de pacificada

Na coluna de terça, reproduzimos avaliação de experiente emedebista que considera que não haveria mais tempo de construir alternativa. Hoje, mostramos que essa é uma situação longe de pacificada. Na avaliação de outro emedebista, há uma chance grande de que haja a intervenção. Numa linha oposta, segundo esse emedebista, porque agora se avalia uma chance real de atrapalhar o jogo eleitoral de Celina Leão.

Prudente forçaria segundo turno

Prudente forçaria segundo turno
Raciocínio parecido envolve Rafael Greca no Paraná Crédito: Divulgação

No caso, o que se avalia é que a entrada de Rafael Prudente no jogo forçaria um segundo turno no DF. E que Celina, pelo desgaste da crise do Master, poderia acabar perdendo a eleição com quem fosse com ela para o segundo turno. Com uma posição mais moderada, caso consiga, Prudente levaria os votos da esquerda, dos eleitores de Leandro Grass (PT) ou Ricardo Capelli (PSB). Resta saber se os eleitores do MDB fariam o mesmo caso um dos nomes da esquerda é que passasse para o segundo turno.

Ideia era Celina contra o PT

Desde a primeira eleição de Ibaneis, a tática seria eliminar adversários no campo conservador para facilitar o caminho. Em 2018, Ibaneis tirou o deputado federal Alberto Fraga (hoje no PL) e venceu. Em 2022, tirou José Antonio Reguffe e se uniu àquele que era então, seu partido, o União Brasil. Agora, a ideia seria eliminar também adversários para Celina disputar com o PT e vencer.

Wellington

Prudente presidia o MDB até 2023. Então, Ibaneis tirou-o e colocou o distrital Wellington Dias na presidência. Na ocasião, justamente para evitar uma candidatura de Prudente e pavimentar o caminho que então previa: eleger Celina Leão como sua sucessora e se eleger senador na chapa.

Ibaneis

Talvez Ibaneis Rocha a essa altura não tenha mesmo mais um espaço para se candidatar ao Senado. Mesmo se o MDB lançar nome próprio ao GDF. Esse emedebista avalia que seria talvez mais cômodo agora para ele compor com Celina e sair para deputado federal. O jogo já seria mesmo para atrapalhar Celina.

Greca

Um raciocínio semelhante envolve a discussão sobre a candidatura do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca pelo MDB no Paraná. No caso, avalia-se caminhos para garantir um segundo turno no pleito liderado pelo senador Sergio Moro (PL). Greca poderia atrapalhar o nome do governador Ratinho Jr. (PSD), Sandro Alex.

Vice

Se Greca for mesmo candidato, ele teria o potencial de atrapalhar os planos eleitorais de Sandro Alex. Por essa razão, Ratinho Jr. tenta negociar que ele aceite ser o candidato a vice-governador na chapa do ex-deputado federal Alex. Ratinho Jr. abandou uma candidatura à Presidência para tentar evitar, segundo ele, a eleição de Moro.

Requião Filho

Caso Greca mantenha-se candidato e também Sandro Alex, avalia-se que a divisão no centro possibilitaria uma ida para o segundo turno contra Sérgio Moro do deputado estadual Requião Filho (PDT), que terá na disputa pelo governo paranaense o apoio do PT. Pesquisa divulgada na terça o mostra em segundo.

Primeiro turno

Bem atrás, porém, Segundo a pesquisa Veritá, Moro teria 60,1%. Requião Filho teria 19,1%. Sandro Alex, 8,8%, e Greca, 6,4%. No DF, não há pesquisas recentes. Mas parece passar hoje pela cabeça de pelo menos parte do MDB a ideia de que o partido tem o condão de embolar algumas corridas eleitorais pelo país.