Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | O intrincado jogo pelo próximo Senado

Oposição comemora a derrota de Messias no Senado | Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Há informações de que as pesquisas internas do governo - os chamados trackings, que são monitoramentos contínuos - apontariam para alguma recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as derrotas acachapantes da semana passada. As próximas pesquisas públicas terão que confirmar isso. Por enquanto, o quadro que elas apresentam segue bem preocupante. Saindo da disputa presidencial e indo para a corrida nos estados, o Correio Político mostrou na edição de segunda-feira como a briga embolou. Mas com uma potencial vantagem da oposição, especialmente do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro. Neste Correio Político, vamos analisar mais detidamente o quadro para o Senado.

 

Para aprovar impeachment do STF, 54

Tomando-se as pesquisas mais recentes nos 26 estados e no Distrito Federal, verifica-se que aqueles que se declaram oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderiam ser até 51 senadores, somando-se os atuais com os que serão eleitos em outubro. Não é número suficiente para o tal projeto da oposição de aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas pode chegar bem perto.

Governo poderia somar até 33

Gleisi: uma das possíveis surpresas governistas | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os processos de impeachment exigem a aprovação de dois terços dos senadores, que seriam 54. Ou seja, a oposição precisaria de mais três senadores. E pode consegui-los entre os independentes. Levando-se em conta quem vai ter mais quatro anos, a oposição sairá já com 18 senadores. E o governo com dez. Levando-se em conta o que dizem as pesquisas, os governistas poderão somar, entre os que ficarão e os novos, até 33 nomes no Senado. Ficaria, então, a posição dos que se declaram independentes, nem governistas nem oposição. Eles seriam 11.

Governistas surpreendem

É preciso esclarecer que esse mapa feito pelo Correio Político não soma 81 senadores. Por uma única razão. Há diversas situações de empate dentro da margem de erro em diversos levantamentos, alguns com até seis nomes. Então, aqui levou-se em conta o potencial máximo de cada segmento. O que causa algum alívio para o governo é que alguns aliados de Lula estão surpreendendo.

Sul

Casos do Rio Grande do Sul e Paraná, que seriam em princípio hostis. A ex-deputada Manuela D'Ávila (Psol) lidera as intenções de voto no Rio Grande do Sul. E a ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann tem chances no Paraná. São Paulo pode ser outro alento para o governo.

São Paulo

Em São Paulo, os governistas vão bem em um estado que deve ter a reeleição de um oposicionista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Lideram ali a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), o ex-ministro do Empreendedorismo Marcio França (PSB) e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede).

Nordeste

O Nordeste, porém, pode não vir a dar desta vez o salvo-conduto a Lula de eleições passadas. Oposicionistas aparecem em vários estados. Como Alessandro Vieira (MDB), em Sergipe. Ou Capitão Wagner (União Brasil) no Ceará. Ou ainda o presidente do PP, Ciro Nogueira (PP), no Piauí.

Norte

Embora costume ter um eleitorado mais oposicionista, o Norte pode dar algum alento ao governo elegendo alguns nomes. Caso do ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB), do presidente da Apex, Jorge Viana (PT), no Acre, e das possíveis reeleições de Eduardo Braga (MDB) no Amazonas e de Randolfe Rodrigues (PT) no Amapá.

Centro-Oeste

A onda oposicionista, no entanto, pode vir forte no Centro-Oeste. Com nomes como Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, no Mato Grosso do Sul. Ou Gracinha Caiado (União Brasil), esposa do ex-governador e candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, em Goiás. E Michelle Bolsonaro no DF.

Distrito Federal

Há uma chance, no entanto, de bancada dividida no Distrito Federal. Quem hoje aparece em segundo no DF é a deputada federal Erika Kokay (PT), que cresceu com a derrocada do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), atropelado pela crise do Banco Master/BRB. O jogo não promete ser fácil daqui até as eleições.