Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Governo aposta alto no acordo UE/Mercosul

Capa do estudo da Apex sobre o acordo | Foto: Reprodução

No dia 1o de Maio, em pleno feriado, entrará em vigor o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O acordo levou quase 30 anos para ser construído. E ainda enfrenta resistências. Por essa razão, foi judicializado e ainda passará por uma avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia. Mas entra em vigor. E já terá consequências práticas no comércio entre os dois blocos econômicos. É uma das grandes apostas do governo para contornar os problemas econômicos vindos das diatribes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Correio Político teve acesso a um amplo estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) que detalha as oportunidades de negócios.

 

543 oportunidades novas de negócios

Em 106 páginas, o estudo da Apex Brasil detalha as oportunidades de negócios. Em primeiro lugar, destaca que o acordo unirá um mercado consumidor de 720 milhões de pessoas. Com um Produto Interno Bruto de R$ 22 trilhões, maior que o da China e menor somente que o dos Estados Unidos. Ao longo do relatório, o estudo elenca 543 oportunidades novas de negócios "com desgravação imediata", ou seja, desde já com a eliminação de tarifas.

R$ 1,1 bilhão em exportações

Maiores expectativas com máquinas e equipamentos | Foto: Abracomex

De acordo com o estudo, essas 543 oportunidades projetam R$ 1,1 bilhão em exportações brasileiras e R$ 4,3 bilhões em importações de produtos europeus, que passam a entrar no país com preços bem mais vantajosos. A União Europeia já é a maior investidora estrangeira, responsável por 41% dos Investimentos Externos Diretos (IEDs). O estudo dividiu o continente europeu em quatro regiões - Europa Ocidental, Meridional, Oriental e Setentrional. É da Europa Ocidental, que inclui países como Alemanha, que virão as maiores possibilidades.

Máquinas e equipamentos lideram

No levantamento da Apex, o setor que mais será beneficiado com o acordo será o de máquinas e equipamentos. Motores para veículos, motores para geração de energia, bombas de combustível, aviões. O levantamento enxerga somente aí 305 oportunidades de negócios com 14 diferentes países. São 27,3 mil possibilidades de importação e 419 de exportações.

Ocidental

No caso da Europa Ocidental, são identificadas 266 oportunidades envolvendo sete países. As chances aí incluem o setor automotivo e eletrônico da Alemanha; o setor aeroespacial, de cosméticos e de moda da França. O Brasil espera incrementar a exportação de alimentos e bens intermediários.

Valor agregado

Na avaliação da Apex, ainda que sejam bem maiores as chances de importação que de exportação, o acordo aumentará a possibilidade de a economia brasileira se integrar em "cadeias de valor agregado", ou seja, saindo da condição somente de mera exportadora de commodities, como alimentos.

Leveduras

Há dados curiosos no estudo. O Brasil é o maior exportador do mundo de "levedura inativa", um ingrediente utilizado para realçar o sabor de alimentos como temperos, molhos e salgadinhos (snacks). Há oito oportunidades de negócios com a Europa Ocidental no setor de produtos alimentícios.

Meridional

O segundo maior mercado identificado é a Europa Meridional, que inclui países como Espanha, Itália e Portugal. E, de novo, há grandes possibilidades no setor automotivo. A Espanha é o segundo maior produtor de veículos da Europa e o nono do mundo. Portugal tem um pólo metalmecânico relevante. A Itália lidera setores como calçados.

Outros

Na Europa Oriental e Setentrional, são identificadas menos oportunidades. Mas, de novo aí, as possibilidades incluem principalmente as indústrias de veículos, máquinas, equipamentos, farmacêutica. No caso da Europa Setentrional, também energia eólica, indústria de madeira, papel e celulose.

Intermediários

Na sua conclusão, o estudo da Apex Brasil aponta que "o perfil das exportações brasileiras para a UE apresenta oportunidades para bens intermediários nas cadeias industriais europeias". Ou seja, produtos que se encaixarão na produção de manufaturados. Resta agora saber se essa expectativa se concretizará.