Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Caixa-preta do BRB será definidora na eleição do DF

Acuada, Celina vai para o ataque | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tem dito que irá solucionar a crise do BRB e evitar que quebre o Banco de Brasília. Mas a verdade é que nem mesmo Celina tem a noção completa do tamanho da encrenca. O BRB tem a essa altura dois problemas sérios: liquidez e patrimônio. A decisão da assembleia de acionistas em aumentar o capital do banco vai na linha de solucionar o primeiro. Mas não se sabe ao certo o valor do patrimônio do banco nem se conseguirá de fato colocar seus imóveis à venda na solução que foi construída. O atraso na publicação do balanço está diretamente ligado ao fato de que ninguém sabe exatamente qual é o tamanho do rombo. Essa tremenda caixa-preta será definidora das eleições.

 

Quieto, Ibaneis voltou a Brasília

No dia em que foi preso o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) estava no exterior, em Portugal. Chegou-se a especular que ele não mais voltaria ao país. Mas Ibaneis retornou a Brasília, onde mergulhou e permanece calado. Suas relações com Celina Leão estão cada vez mais azedas. Celina tenta se descolar da crise do Banco de Brasília. Mas ela sabe que não será tarefa fácil.

Celina bate em adversários

Arruda reforça suas ligações com Izalci | Foto: Instagram/@arruda.df

Embora as pesquisas a apontem como favorita nas eleições de outubro, Celina sente o tamanho do desafio. O que a tornou bem mais agressiva. Além de Ibaneis Rocha, recentemente, ela fez ataques também ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e ao senador Izalci Lucas, que se coloca como pré-candidato do PL ao Governo do Distrito Federal. Qual o temor de Celina: que a contaminação do Banco Master acabe por afastar o PL da sua campanha, acenando para alternativas.

Filhos de Bolsonaro não gostaram

Recentemente, em uma entrevista, Celina afirmou que Flávio Bolsonaro precisaria "pedir perdão" a Michelle Bolsonaro pelas críticas feitas a ela. São notórias as desavenças dos filhos de Bolsonaro com sua madrasta, que é amiga de Celina. A fala da governador, no entanto, repercutiu muito mal entre os filhos, especialmente Flávio, gerando reações.

Izalci

Sobre Izalci Lucas, Celina atacou-o lembrando de episódios que relacionaram o senador a irregularidades na destinação de emendas orçamentárias e ao INSS. E disse que Izalci não se posicionaria claramente, "andando" com o ex-governador Goias Ronaldo Caiado (PSD) e com José Roberto Arruda (PSD).

Críticas

Por sua parte, Izalci Lucas também atacou Celina. Afirmou que ela vende um "DF de ilusões" e que não teria soluções de fato para cobrir um rombo, segundo ele, de R$ 2,7 bilhões nas contas do Distrito Federal. No fundo, não se acredita muito nas chances de Izalci. Mas o fato é que o PL ainda não o desarmou.

Ibaneis

Ibaneis Rocha também cria suas alternativas. Ninguém está mais chamuscado com a crise. Mas Ibaneis ainda insiste que será candidato a senador. Ele não tem espaço na chapa de Celina, fechada (se o PL não pular fora) com as candidaturas ao Senado de Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis, do PL.

Prudente

Assim, o MDB segue alimentando a alternativa de ter como candidato a governador o deputado federal Rafael Prudente. Como forma especialmente de abrir espaço para Ibaneis mas de também criar condições para as candidaturas a deputado federal e distrital, que poderiam ficar ofuscadas da mesma forma na chapa de Celina.

Os demais

No meio dessa confusão, José Roberto Arruda, Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB), os demais candidatos, assistem à confusão tentando obter dividendos. Arruda, como mesmo disse Celina, tem relações com Izalci. Mais do que Izalci ser candidato, o que se teme no meio de Celina é que o PL se una a ele.

Esquerda

Os nomes de esquerda torcem para que esse rolo contamine a todos. Mas quem assiste ao rolo não desconsidera que toda essa confusão venha a ampliar alianças. Grass fala menos disso, mas Capelli não descarta ampliar apoios. Como ele mesmo disse ao Correio Político, sua intenção é criar uma "frente ampla".