Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | A dura disputa pelo Senado

Reflexo da polarização: um Senado fortemente dividido | Foto: Fabio Rodrigues PozzebomAgência Brasil

Comentávamos por aqui na edição de segunda/terça-feira (20 e 21) como ainda há aspectos incertos com relação às eleições de outubro. O que as pesquisas mostram hoje é uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu principal adversário. Os últimos levantamentos apontam leve vantagem de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, mas sempre com empate dentro da margem de erro. Essa incerteza se reflete também em outra disputa importante: as escolhas para o Senado. Embora a oposição ao governo Lula apareça hoje com vantagem segundo as pesquisas mais recentes, essa vantagem é muito pequena.

 

Divisão do país reflete-se nas escolhas

O que o quadro hoje aponta é que quem quer que seja eleito não terá vida fácil entre os senadores. A polarização do país reflete-se nas escolhas para o Senado, de acordo com as pesquisas mais recentes em cada estado. Por esses levantamentos, a oposição declarada ao atual governo Lula elegeria até 23 senadores. Mas os que declaradamente o apoiam não ficariam muito atrás, podendo eleger até 17 senadores.

Ninguém terá uma maioria clara

Manuela D'Avila: exemplo de surpresa | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Esse cenário aponta que ninguém terá uma maioria clara no Senado, considerando-se o terço de senadores que continuarão e os dois terços que serão eleitos agora. Com esse cenário, dificilmente a oposição conseguirá concretizar o plano que tinha de aprovar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Não terão os dois terços necessários. Mas o cenário atual aponta que o presidente eleito, quem quer que seja, terá muita dificuldade de aprovar sua pauta de projetos. O quadro de divisão produzirá provável tensão.

Supresas em estados conservadores

Há algumas surpresas nos levantamentos em estados que eram tido como conservadores, ou que votaram em Jair Bolsonaro em 2022. A ex-deputada Manuela D'Ávila (Psol), por exemplo, lidera as intenções de voto no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, os levantamentos apontam pelo menos um nome aliado do governo, Simone Tebet (PSB) ou Marina Silva (Rede).

Rio de Janeiro

O Rio, apesar da liderança de Eduardo Paes (PSD) para o governo, pode eleger dois senadores de oposição, caso o ex-governador Claudio Castro (PL) esteja elegível - o outro nome seria Marcelo Crivela (Republicanos). Se Castro sai da disputa, as chances se voltam para a deputada Benedita da Silva (PT).

Minas Gerais

Minas Gerais pode ser outro caso de bancada dividida, com um nome governista e outro de oposição. Lidera os levantamentos a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Em seguida, vem o oposicionista Carlos Viana (Podemos), que foi o relator da CPMI do INSS. Seu relatório era fortemente oposicionista.

Bahia

A Bahia pode eleger dois senadores governistas: o atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT) e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT). Pernambuco também, com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT). Mas o Piauí, que era fortemente governista, pode eleger um nome de oposição.

Piauí

Há boa chance de eleição, segundo as pesquisas, de Marcelo Castro (MDB), que tem viés governista. Mas também aparecem bem posicionados Júlio Cesar (PSD), que é independente, e o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira. Há informações de que Ciro tentou se reaproximar de Lula, mas, em princípio, é oposição.

Ceará

O Ceará, com a liderança de Ciro Gomes (PSDB) para o governo, vive situação curiosa. Lidera para o Senado o irmão de Ciro, Cid Gomes (PSB) que, em princípio, é aliado de Lula e diz que fará oposição local à candidatura de seu irmão ao governo. O segundo nome nas pesquisas é oposicionista, Capitão Wagner (União).

DF

Uma pesquisa do Instituto Veritá do dia 24 de março já mostra os possíveis estragos do escândalo do Banco Master e do BRB no Distrito Federal. O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) já não aparece à frente, e a bancada dividiu-se. As vantagens seriam de Michelle Bolsonaro (PL) e de Erika Kokay (PT).