Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Eliziane: primeira reação no PSD a Caiado

Eliziane sai do PSD e passa a integrar a bancada do PT | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Na quinta-feira (2), a senadora maranhense Eliziane Gama dirigiu uma educada carta "aos amigos e amigas" que fez enquanto esteve filiada ao PSD. Deixa sua "gratidão" ao presidente do partido, Gilberto Kassab, e cita ainda outros companheiros de partido - os senadores Omar Aziz e Otto Alencar. Cita também o ex-governador do DF Paulo Octávio, mas este também não está no PSD, foi para o PP. Eliziane sai do PSD e vai para o PT, partido por onde disputará a reeleição ao Senado pelo Maranhão. A mudança, é claro, já vinha sendo construída e faz parte dos planos de montagem da chapa de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Maranhão. Mas houve um fator que foi decisivo para Eliziane.

 

Candidatura do goiano foi decisiva

Esse fator decisivo foi a opção de Gilberto Kassab em ter o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato a presidente. Eliziane foi eleita senadora pelo Cidadania e de lá mudou-se depois para o PSD. Não é tida, portanto, como alguém marcadamente de esquerda. Mas está longe de proximidade com a direita representada por Caiado. E especialmente é muito próxima de Lula. Sempre foi parte fiel de sua base no Senado.

Na chapa de Felipe Camarão

Camarão: em briga feia com Carlos Brandão | Foto: Divulgação

O Maranhão vive hoje uma situação complicada. O vice-governador, Felipe Camarão (PT), é candidato a governador. E Eliziane, assim, entraria como uma das candidatas da chapa ao Senado. Mas Camarão rompeu com o governador Eduardo Brandão (que deixou o PSB e está sem partido), que apoia uma candidatura de seu sobrinho, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleãns Brandão (PSB). Carlos Brandão avisa que não deverá deixar o governo para que Camarão dispute como candidato à reeleição.

Situação beligerante

Ele pode disputar o governo no cargo, mas não poderá assumir interinamente em nenhum momento. Se Brandão viajar para o exterior, ele terá que viajar também. Pode-se criar, então, uma situação meio inusitada. O Maranhão teria dois palanques para Lula, mas concorrendo entre eles de uma forma complicada e beligerante. A briga entre o governador e o vice é feia.

Investigação

Recentemente, Camarão divulgou um vídeo contra Brandão, no qual chama o governador de "coronel" e de estar fazendo uma "canalhice" contra ele. Chegou a haver um pedido de afastamento de Camarão. O afastamento seria por conta de uma investigação do Ministério Público do Maranhão.

CPI

Camarão afirma ter sido uma "armação" de Brandão. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar na segunda-feira da semana passada (30) mantendo Camarão no cargo. Mas pode ser instalada uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar Camarão por conta da denúncia do MP.

Braide

Nesse nível de briga dentro do governo maranhense, as pesquisas no momento apontam liderança para o governo do agora ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, do PSD de onde saiu Eliziane Gama. Braide renunciou à prefeitura na terça-feira (31). É, por enquanto, um palanque neutro quanto à Presidência.

Fragmentação

Há risco, porém, para Lula em toda essa carga de briga. Os palanques fragmentados demais podem acabar atrapalhando em vez de ajudar o presidente. E isso também pode acontecer em outros estados do Nordeste. Com carga beligerante menor, há problemas também na formação de palanques no Ceará e na Bahia.

Bahia

Na Bahia, a possibilidade de uma chapa puro-sangue do PT tendo o governador Jerônimo Rodrigues candidato à reeleição com o senador Jaques Wagner e o agora ex-ministro da Casa Civil Rui Costa como nomes para o Senado pode produzir a criação de outra chapa aliada para abrigar outros nomes aliados.

Ceará

No Ceará, a sombra de uma vitória ao governo de Ciro Gomes (PSDB) leva a rearranjos. Em vez da reeleição do governador Elmano de Freitas, o ex-ministro da Educação Camilo Santana poderia vir a sair pelo PT. E definir os nomes para senador, entre Luiziane Lins e José Guimarães, do PT, e Eunício Oliveira, do MDB.