Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Polarização limita alianças de Lula e de Flávio

Ninguém mordeu a isca da vice: Alckmin fica | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao anunciar na segunda-feira (31) que Geraldo Alckmin (PSB) continuará sendo seu companheiro de chapa nas eleições deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou uma novela que vinha desde o início do ano. Mas não que Lula não tenha de fato tentado trocar seu vice. Ele tentou, e muito. Disse que seu desejo era que Alckmin disputasse o Senado por São Paulo, mas que respeitaria qualquer decisão do seu vice. De fato, respeitou e respeita - de adversários no passado, Lula e Alckmin se tornaram amigos. Mas Alckmin faria o que Lula pedisse a ele. A razão principal da manutenção da chapa é outra: Lula não conseguiu usar a isca da vice para atrair novos apoios.

 

Nem MDB nem PSD se interessaram

Desde o início do ano especialmente, Lula intensificou conversas tentando atrair para a sua chapa o MDB e o PSD. No MDB, tinha o apoio da ala mais aliada, como os senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA). Mas não conseguiu demover a resistência do presidente do partido, deputado Baleia Rossi (SP). No PSD, Lula teve diversas conversas com Gilberto Kassab. Chegou a cogitar a vice para ele ou para o senador Rodrigo Pacheco.

Centro quer ficar livre para os arranjos

Raquel chegou a pular carnaval com Lula e Janja | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Nada deu certo por uma razão: a polarização da disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem limitando para ambos a possibilidade de ampliação de alianças com o centro. A nenhum desses partidos parece no momento interessar uma vinculação direta às candidaturas presidenciais para que mais facilmente possam oscilar nos arranjos estaduais. Isso é claro para o MDB, mas acontece no próprio PSD, embora o partido vá ter seu próprio nome nas eleições presidenciais, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.

Flávio tem mesma dificuldade

A dificuldade não é somente de Lula. Flávio Bolsonaro tem problemas parecidos. Sua intenção era tentar ampliar sua aliança com a federação União Progressista. O nome preferido do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para vice de Flávio é a senadora Teresa Cristina (PP-MS). Mas isso esbarra também nos cálculos regionais da federação.

Convite

Registre-se que a senadora mesmo repete que até agora não houve qualquer convite a ela, sequer teria havido sondagem. Mas o fato é que a federação não quer ficar presa, até porque o PL mesmo não assumiu alguns compromissos que havia. O caso mais notório é Esperidião Amin (PP) em Santa Catarina.

Vice

Assim, enquanto Lula vai ficando com Alckmin, o mesmo companheiro de chapa, no caso de Flávio ainda não há qualquer indicação de quem será seu vice. Há mesmo uma tendência de que, como vem acontecendo nas escolhas para o Senado, a chapa de Flávio acabe também sendo puro-sangue.

Cidadania

Na brigalhada interna, o Cidadania chegou mesmo a ensaiar uma aproximação com Lula. Mas o grupo que defendia isso acabou derrotado na Justiça pelo de Roberto Freire. O Cidadania fecha federação com o PSDB, faz oposição a Lula. Tenta, inclusive, convencer Eduardo Leite a ser seu candidato.

Palanques

Assim, tudo caminha para que eventuais apoios ao centro se deem somente nos palanques estaduais. Nesse sentido, no momento, Lula parece estar tendo mais sucesso. Fecha com o MDB e o PSD apoios em alguns estados importantes. E fortalece o PSB como seu aliado principal, com chances de eleger governadores.

Pernambuco

O palanque duplo em Pernambuco vale atenção. Oficialmente, o palanque de Lula será o do prefeito do Recife, João Campos. Mas a governadora Raquel Lyra (PSD) filia o deputado Túlio Gadelha para ser candidato a senador e apoiar também Lula. No carnaval, Raquel chegou a receber Lula e Janja.

Minas

Como Lula não comoveu o comandante do PSD, mixou a ideia de ter Kassab ou Rodrigo Pacheco como vice. Pacheco, então, migrou do PSD para o PSB e disputará pelo novo partido o governo de Minas. O que também pode desanuviar outra novela: a do advogado-geral da União, Jorge Messias, no Supremo.