Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Caiado vai jogar no campo de Flávio Bolsonaro

Caiado deve tirar votos de Flávio na disputa | Foto: Reprodução/Vídeo

Quem acompanha aqui o Correio Político não deve ter ficado tão surpreso. Na coluna do dia 26 de março, tínhamos anunciado que a escolha no PSD para a disputa presidencial tinha recaído pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Àquela altura, a intenção do presidente do partido, Gilberto Kassab, era fazer o anúncio no sábado (28). Depois, concluiu que haveria maior repercussão se o anúncio fosse deixado para segunda-feira (30), como aconteceu. E as razões da escolha de Caiado vão mesmo na linha do que antecipamos: Caiado entra para jogar no campo do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), uma disputa à direita arquitetada para tirar votos de Flávio e empurrar a eleição para o segundo turno.

 

Novidade pode estancar Flávio

A primeira leitura no PSD, que as próximas pesquisas terão de comprovar, é que o anúncio da candidatura de Ronaldo Caiado pode estancar a subida que Flávio Bolsonaro vem experimentando nas últimas semanas. Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado na segunda é mais um a mostrar o filho de Bolsonaro à frente de Lula em um eventual segundo turno. Lula lidera no primeiro turno, mas sua vantagem vai diminuindo.

Definidor no segundo turno

Entrada de Caiado pode estancar subida de Flávio | Foto: Reprodução/Vídeo

E aí estaria o principal propósito da candidatura Caiado para o PSD. Na Paraná Pesquisas, Caiado é o terceiro atrás de Lula e Flávio, mas com uma diferença abissal de 37,7 pontos percentuais com relação a Lula e 34,2 pontos de Flávio. Caiado tem apenas 3,6% das intenções de voto. Faltam mais de seis meses para as eleições e muita água pode rolar debaixo da ponte. Mas não parece provável que Caiado possa reverter o jogo e estar no segundo turno. O que ele provavelmente conseguirá é evitar que tudo se defina no primeiro turno.

Quem perde mais?

Quem perde mais com a entrada de Caiado no páreo é algo paradoxal. Se Caiado joga pelo campo da direita, se o foco for no primeiro turno, é Flávio Bolsonaro quem perde. Mas também pelo fato de Caiado jogar pelo campo da direita, a hipótese de que, sendo definidor do primeiro turno, ele venha a apoiar Lula no segundo parece algo mais remoto.

Empolga?

Tudo, então, deve passar pelo quanto de fato o candidato Ronaldo Caiado empolgará o próprio PSD. Começando pelos próprios adversários internos de Caiado. O governador do Paraná, Ratinho Jr. parece disposto a se engajar. Já o goverador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tende a ficar neutro.

Dividido

A partir daí, o projeto divide o PSD nos estados. Nomes como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, candidato a governador pelo PSD, e o senador Otto Alencar, a senador na Bahia, apoiam a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pernambuco, com Raquel Lyra, pode ser palanque duplo de Lula.

Pernambuco

Ontem, o PT, depois da uma reação inicial, fechou apoio à chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), para o governo de Pernambuco. A governadora Raquel Lyra estaria negociando a entrada no PSD do deputado Túlio Gadelha (Rede) para disputar uma vaga ao Senado na sua chapa.

Minas

Caiado ainda não tem definido quem será seu candidato a vice. Há conversas com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que, em princípio é também candidato à Presidência. O problema, no caso, é que boa parte do comando do PSD em Minas Gerais pertence ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aliado de Lula.

Pacheco

Problema que se agrava se o senador Rodrigo Pacheco aceitar sair a governador por Minas Gerais. Será preciso, então, ver onde, além do Paraná e de Goiás, as bases estaduais do PSD se engajarão. Passou a haver uma possibilidade em Santa Catarina, com a chapa em torno do prefeito de Chapecó, João Rodrigues.

Flávio

Pelo lado do PL de Flávio, porém, há uma leitura de que Caiado o ajudaria na tarefa de tentar se apresentar como um Bolsonaro mais moderado. Caiado iria para o ataque, preservando Flávio. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, inclusive, tem aconselhado Flávio Bolsonaro a não atacar Lula diretamente.