Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Discreto, Alckmin traça o seu destino

Alckmin fecha-se em copas sobre seu futuro | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Um dos aspectos que mais encanta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Geraldo Alckmin, seu vice, é a sua discrição. Na avaliação de Lula, Alckmin nunca fala mais do que devia. O auxilia mantendo sempre o seu jeitão discreto de paulista do interior, de "Pinda", como chama sua cidade, Pindamonhangaba. Alckmin fechou-se em copas. Mesmo as pessoas próximas dele afirmam que não sabem o que ele irá fazer. Mas há outra característica de Alckmin que encanta Lula: a sua lealdade. O presidente comenta que não esperava que um antigo adversário pudesse se tornar aliado tão fiel. Somando, assim, as duas características, quem conhece Alckmin aposta que ele será mesmo candidato a senador em São Paulo.

 

Definição não demora

A candidatura de Alckmin ao Senado é o desejo de Lula. Quem conhece Alckmin considera que seria muito difícil ele ficar na vice-presidência contrariando o presidente. De qualquer modo, a definição agora não irá demorar muito. O prazo de desincompatibilização termina no dia 4 de abril. Se Alckmin não deixar o governo, não poderá mais concorrer senão ao mesmo cargo de vice-presidente. Se ficar, é porque acertou isso com Lula.

Conversa envolve também Haddad

Além de Lula, conversa também envolve Haddad | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

De qualquer modo, a conversa agora "subiu ao andar de cima": é entre Alckmin e Lula. Mas envolve também o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que será o candidato ao governo de São Paulo. Haddad foi para a disputa meio no sacrifício. Não era o que ele queria. Então, sua vontade no sentido de montar a chapa mais competitiva será levada em conta. Haddad chegou a declarar na sexta-feira (20) que seria "natural" que Alckmin permanecesse como vice de Lula. Mas Lula disse, porém, que Alckmin o ajudaria mais saindo para o Senado.

Alckmin nada disse sobre o Senado

E a decisão também respeitaria a vontade de Alckmin: o que ele não queria era disputar o governo de novo. Ele nada disse em nenhum momento quanto ao Senado. Voltar a um governo onde já esteve duas vezes poderia parecer um passo para trás. Mas não o Senado, destino de vários ex-presidentes: Juscelino Kubistschek, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco…

Pesquisa

Na pesquisa do Datafolha, no cenário onde Alckmin é testado como candidato, ele ficou ligeiramente à frente de Haddad. No cenário com Haddad, o ex-ministro tinha 30%. No cenário com Alckmin, ele fica com 31%. Na verdade, curiosamente num estado onde o favorito é de oposição, os nomes do governo vão bem.

Simone e Marina

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (que deixou o MDB e ingressou no PSB), aparece com 25%. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), com 21%. O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), com 20%. E Guilherme Boulos (Psol), da Secretaria-Geral da Presidência, com 15%.

Derrite e Salles

Somente depois é que vêm os primeiros nomes ligados à oposição, os deputados Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (PL), ambos com 13%. É mais um dado a apontar o provável destino de Alckmin: parece haver uma chance real de o governo conseguir eleger os dois senadores pelo estado de São Paulo.

Outra chapa

Há uma outra cogitação sendo feita. Márcio França poderia sair também a governador, oferecendo a Lula dois palanques em São Paulo. No caso, ele faria uma campanha mais agressiva, preservando Haddad de ataques mais frontais ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Depois, no segundo turno, apoiaria Haddad.

Como ficaria?

O problema, nesse caso, é fazer a composição das duas chapas. Porque, então, Alckmin e Simone seriam candidatos na chapa de Márcio França, e não na de Haddad. Uma vez que Alckmin já é fliado ao PSB, mesmo partido de França, e o PSB também tornou-se o novo destino partidário de Simone Tebet.

"Aberta"

Lula foi claro o tanto que pôde. Disse que a vaga de vice está "aberta". Mas disse que é Alckmin que vai decidir o que fazer. Quem conhece Alckmin afirma que muito dificilmente ele correria o risco de ficar quatro anos como vice contrariando a vontade do presidente. E quem conhece Lula também duvida.