Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | E se o vice de Lula for Pacheco?

Pacheco pode ser uma solução mineira para Lula? | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na esteira das articulações com o MDB contadas na quarta-feira (11) pelo Correio Político, algumas avaliações avançaram. Como dizíamos, o primeiro ponto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que analisar para saber se vale a pena trocar Geraldo Alckmin (PSB) por outro nome como seu companheiro de chapa em outubro será o quanto essa eventual troca agrega. Então, além da provável encrenca que será unificar o MDB em torno da ideia se a troca de fato ocorrer, tudo passará também pelo perfil do escolhido. Nomes do Nordeste pouco agregariam. No Sul ou no Centro-Oeste, não mudariam a tendência majoritária de voto contra Lula. Então, para qual estado valeria a pena trocar o paulista Geraldo Alckmin?

 

Minas será o maior desafio

Para Minas Gerais, que tudo aponta será o grande desafio de Lula. Nesse sentido, há sondagens já sendo feitas em torno do senador Rodrigo Pacheco (MG). Pacheco hoje está no PSD. Mas o partido comandado por Gilberto Kassab dá cada dia mais sinais de que terá mesmo um candidato próprio à Presidência. Essa situação já vinha desestimulando Pacheco a aceitar o que parecia ser o Plano A de Lula para ele: disputar o governo de Minas.

Destino: o MDB ou o PSB

Alckmin foi fundamental em 2022 em São Paulo | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Com uma candidatura própria à Presidência, Pacheco até poderia fechar com Lula se fosse candidato em Minas Gerais. Isso tende a acontecer, por exemplo, no Rio de Janeiro na candidatura ao governo do hoje prefeito Eduardo Paes. Como candidato a vice-presidente, Pacheco teria de deixar o PSD. Então, se fala em dois caminhos. Pacheco poderia repetir Geraldo Alckmin e ir para o PSB. Ou para o MDB, o que poderia se encaixar mais no seu próprio perfil. Toda essa especulação, é claro, precisa passar pelo próprio Pacheco, ele aceitar.

Lula venceu por muito pouco

Minas é considerado o principal estado pêndulo do Brasil. Em 2022, Lula venceu em Minas Gerais Jair Bolsonaro por muito pouco: teve 50,20% dos votos no segundo turno. É difícil imaginar como será agora. Mas, numa eleição apertada, os votos de Minas, segundo colégio eleitoral do país, são muito importantes na definição do resultado. E o quadro em Minas ainda está indefinido.

Messias

Um acerto com Pacheco nessa linha poderia ajudar ainda a destravar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A não indicação de Pacheco para a Corte é o ponto de resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), grande aliado de Pacheco.

União

Pode até ajudar Lula a obter pelo menos um naco da Federação Progressista, entre o União Brasil e o PP, que oscila entre ficar com Lula, apoiar Flávio Bolsonaro ou se manter numa posição meio barro, meio tijolo. Nessa última hipótese, Alcolumbre, refeitas pontes com Lula, pode levar parte da federação consigo.

Alencar

A união com Minas foi o caminho de Lula nas suas presidências anteriores, com o empresário José Alencar como vice. Pacheco é advogado. Mas talvez a escolha possa animar setores empresariais do estado. Mas Lula perderia uma aliança com Alckmin que foi importante para atrair a economia paulista.

Alckmin

Geraldo Alckmin foi fundamental para que Lula obtivesse apoios no empresariado e no setor financeiro, que ficaram conhecidos na época como "farialulers". Há dados de pesquisas agora que mostrariam uma situação que talvez possa fazer Lula não depender tanto de Alckmin em São Paulo como seu companheiro de chapa.

Haddad

Levantamento do Paraná Pesquisas mostra um cenário curioso em São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera fácil. Mas não são dele os nomes para o Senado. Ali, os favoritos são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).

Minas

A briga se transfere para Minas. Ali, fala-se na possível candidatura do deputado Nikolas Ferreira (PL) para governador. Mas há uma briga interna no PL e Nikolas ameaça até sair. Mas, como diria Garrincha, sempre é preciso combinar com os russos. Os russos agora são o MDB, o PSB, Alckmin e Pacheco...