Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | O cravo e a barba

Seguro obteve os votos dos moderados em Portugal | Foto: Reprodução/Vídeo

A vitória de Antonio José Seguro como novo presidente de Portugal animou por aqui a turma da esquerda. Mas, para alguns, é possível que o famoso "Efeito Orloff" se dê nesse caso ao contrário. Para quem nasceu depois, o "Efeito Orloff" era o centro de uma antiga propaganda de vodca. O anúncio dizia que a tal vodca não dava ressaca. Então, na propaganda, o sujeito se olhava no espelho e via seu reflexo feliz com a cara saudável, que lhe dizia: "Eu sou você amanhã". Mais tarde, o tal "Efeito Orloff" foi muito usado por economistas para dizer que fenômenos econômicos que aconteciam no mundo se davam depois no Brasil. No caso de Seguro, pode ser que agora lá em Portugal tenha se dado o que houve aqui em 2022.

 

Mais Seguro mesmo

Corre em Portugal a piada de que talvez nunca candidatos à Presidência tenham tido nomes mais apropriados. Seguro apresentou-se no segundo turno exatamente como alguém que, em caso de vitória, representaria mais moderação, mais prudência, mas segurança. Deixando para seu adversário, o ultradireitista André Ventura, do Chega, a ideia de que, de fato, era a representação da aventura, do imponderável.

Fim do Lula paz e amor

Lula vislumbra um clima de guerra nas eleições | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Com isso, o socialista angariou no segundo turno em Portugal, os votos do centro, derrotando o adversário de direita. Como Lula em 2022. Na disputa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula no segundo turno acabou marcando em torno de si a ideia de que era a opção mais segura, mas confiável, diante dos riscos de ruptura democrática que Bolsonaro representava. Foi, então, o nome do centro, obtendo o apoio de figuras como a hoje ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), terceiro lugar naquela eleição.

Os riscos destas eleições

Dois importantes analistas políticos têm alertado para os riscos das eleições de outubro para Lula. O cientista político Antonio Lavareda considera que toda eleição em dois turnos é sempre um risco para o "incumbente" (como os cientistas políticos costumam designar aquele que disputa no cargo). O marqueteiro João Santana considera que, no caso das eleições deste ano, há mais.

Conformação

João Santana, que fez a campanha de Lula em 2006 e as de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, considera que a conformação política de outubro será bem diferente da de 2022, quanto aos candidatos que enfrentarão Lula na disputa. Não haverá agora nomes do centro que possam depois compor com Lula.

Adversários

Todos tendem a ser adversários dele. Quem não estiver no segundo turno tende a apoiar aquele que for disputar com o atual presidente. E avalia-se que um eleitor que não vote em Lula no primeiro turno dificilmente venha a votar nele no segundo. E Lula já parece ter se dado conta de que desta vez será diferente.

Na Bahia

Foi por isso que, na Bahia, ao fazer o lançamento da sua pré-campanha à Presidência, Lula tenha dito que, desta vez, acabou o "Lulinha Paz e Amor". Ele enxerga uma eleição na qual mais provavelmente terá que tentar defender o que fez. Tarefa que, para dar certo, terá que superar sua alta rejeição.

Desunião

Assim, as chances de Lula para além do seu campo tradicional à esquerda poderão vir da desunião que hoje se verifica no campo da direita, podendo vir a comprometer ou dificultar as chances em locais onde a vitória pareceria fácil. Como o que acontece em Santa Catarina e o que se verifica também no Distrito Federal.

Palanques

É apostar que a desunião produza problemas para a formação de palanques regionais. Por exemplo: para onde irá o MDB de Santa Catarina depois que se viu fora da chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL)? Mas como fazer com que essa confusão perdure para ajudar Lula no segundo turno?

Logo

Nas redes sociais, João Santana divulgou vídeo recente no qual afirma sempre ter dito a Lula que imaginar uma vitória já no primeiro turno era algo quase impossível. Agora, porém, Santana diz que Lula deveria se esforçar para conseguir ganhar na primeira volta. Porque a segunda será bem complicada.