Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Santa Catarina poderá rifar o veterano senador Amin

Adriano pode virar o vice de Jorginho Mello | Foto: Eduardo Valente/Governo de Santa Catarina

Um almoço em um badalado restaurante de Florianópolis na quarta-feira (21) pode ter selado um acordo para unificar os palanques de direita em Santa Catarina. Dizíamos aqui como a divisão do campo conservador vem dificultando essa unidade em diversos estados. Esse era o caso de Santa Catarina depois que o filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos, resolveu se mudar do Rio de Janeiro para lá para disputar uma vaga de senador. O almoço reuniu o governador Jorginho Mello (PL) com a cúpula catarinense do partido Novo. O acerto poderá unificar a direita no estado. Mas, se isso acontecer, fará uma vítima: o veterano senador e ex-governador de Santa Catarina Esperidião Amin (PP), de 78 anos.

 

Carluxo bagunçou o jogo

Depois que Carlos Bolsonaro mudou-se do Rio para a cidade de São José para disputar uma vaga de senador pelo PL de Santa Catarina bagunçou o jogo que antes tinha sido combinado por Jorginho Mello. Por esse jogo, ele disputaria a reeleição, o PL teria uma vaga para o Senado e a outra vaga ficaria para Amin pelo PP. Inicialmente, a migração de Carluxo parecia que iria rifar do PL a deputada Caroline de Toni (PL).

De Toni ameaçava ir para o Novo

No final do ano passado, uma pesquisa do Instituto Neokemp mostrava Caroline de Toni na liderança para o Senado. Carlos Bolsonaro era o segundo e, em terceiro, Esperidião Amin aparecia empatado com o presidente do Sebrae, Décio Lima (PT). Se Jorginho mantivesse o acordo com Amin tento Carluxo como candidato na outra vaga para o Senado, rifaria de Toni. Ela, então, começou a negociar uma transferência para o Novo, formando uma chapa contra Jorginho, tendo como candidato a governador o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo).

Joinville na vice

Tal arranjo implodiria a chapa de Jorginho Mello para a reeleição e racharia o campo da direita. O almoço na quarta ensaia um acordo do governador com o Novo. Que deixa Amim sem vaga. Segundo o que se apurou sobre o almoço, Jorginho Mello teria oferecido a Adriano Silva a vaga como vice-governador na sua chapa. Sairiam candidatos a senador Carlos Bolsonaro e de Toni.

Problemas

Fechado o acordo, Jorginho Mello poderá, sem dúvida, formar uma chapa forte. Mas Amin não será o único ferido deixado pelo caminho. O acerto inicial do governador acenava dar a vice para o MDB. Que fica, então, também de fora. Jorginho Mello tenta ainda atrair para o seu campo o PSD.

Camboriú

Um dos principais políticos do PSD catarinense é o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan. Camboriú é vizinha de Balneário Camboriú. Onde é vereador o irmão de Carluxo, Jair Renan (PL). Pavan, que já torcia o nariz para a presença vizinha de Jair Renan, criticou diretamente a convivência agora com Carlos Bolsonaro.

"Loucura"

Pavan classificou como "loucura" do PL a migração de Carlos Bolsonaro. "Acho uma loucura o que o PL está fazendo em Santa Catarina. Trazer um vereador lá do Rio de Janeiro só para ser candidato, como se nós fôssemos um balcão de negócios", declarou Pavan, em recente entrevista a um jornal de Santa Catarina.

Silêncio

No meio disso tudo, Esperidião Amin, que pode virar vítima em todo esse processo, mantém-se em silêncio. Não sinalizou ainda se irá aceitar tal situação, ou se poderá vir a reagir. O que acontece é que o PT enxerga uma janela de oportunidade nessa briga para eleger um senador no que talvez seja o estado mais conservador do país.

Décio Lima

O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) não aparece mal colocado na disputa para o Senado. Na pesquisa Neokemp, divulgada no final do ano passado, ele tinha 16,2% das intenções de voto. Aparecia, então, empatado com Esperidião Amin, que, na pesquisa, tinha 16,3%.

De Toni

Acordo deixará Amin sem vaga para o Senado | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Segundo a pesquisa, Caroline de Toni tinha 28,6%. Carlos Bolsonaro, 25%. Este ano, cada estado elegerá dois senadores para um mandato de oito anos, renovando, então, dois terços das cadeiras do Senado. De Toni e Carlos também lideram quando se pergunta o segundo voto. Ela, com 27,8%, e ele com 24,2%.