Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Atlas/Intel: a eleição presidencial congelou

Cerca na Esplanada: ponto maior da radicalização | Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Uma análise mais superficial da pesquisa Atlas/Intel, divulgada na quarta-feira (21), talvez indicasse que ela é mais do mesmo. Como nas demais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vence em todos os cenários simulados, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Mas, nos detalhes, a pesquisa, caso outras venham a confirmá-la, revela um dado impressionante: a eleição presidencial congelou. Ou, como diz o cientista político André Cesar, ficou calcificada pela polarização. Os cenários pesquisados não variam. É como se o presidente tenha atingido seu teto. Mas esse teto o elege para um quarto mandato. Porque, segundo os cenários pesquisados, também os adversários de Lula tenham talvez atingido.

 

Percentual se mantém

Com exceção de uma eventual disputa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro - que não haverá, porque Bolsonaro está inelegível e preso -, Lula tem o mesmo percentual de 48% qualquer que seja o adversário no primeiro turno. A diferença varia na casa além da vírgula. Contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 48,8%. Contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 48,5%. Contra Michelle Bolsonaro, 48,2%.

Com Flávio e Tarcísio

Nem Tarcísio tira votos de Flávio nem Flávio de Tarcísio | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Mesmo num cenário em que sejam candidatos tanto Flávio quanto Tarcísio, o percentual se mantém em 48,4%. Ou seja, nada altera, a não ser num detalhe abaixo da margem de erro da pesquisa, que é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, o patamar conquistado por Lula. Nem Flávio ganha votos quando Tarcísio está fora, nem Tarcísio quando quem sai é Flávio. É como se o eleitor tivesse se dividido no estádio brasileiro em duas torcidas. Quem torce para o time Lula, fica de um lado. E identifica todos os demais como time adversário.

Haddad repete o quadro

A pesquisa levantou uma outra hipótese que parece totalmente improvável: o candidato do governo ser o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Haddad aparece com um percentual menor, mas também vence em todos os cenários. E, outra vez, parecendo cristalizar o quadro. Nas duas simulações com Haddad, ele oscila entre 41,5% (contra Flávio) e 42% (contra Tarcísio).

Segundo turno

Mais impressionantes são as simulações de segundo turno. Qualquer que seja o adversário testado, o percentual de Lula é, segundo a Atlas/Intel, exatamente o mesmo: 49%. Somente contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) seria 48%. Mas, na margem de erro, é também o mesmo.

Igual também

Da mesma forma, é igual o percentual da maioria dos adversários. Tanto Jair Bolsonaro quanto Tarcísio de Freitas, Michelle ou Flávio Bolsonaro ficariam com 45%. Caiado e os governadores do Paraná, Ratinho Jr (PSD) e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ficariam com 39%. Leite teria percentual menor: 23%.

Palanques

É possível que essa calcificação do cenário já tenha sido percebida pelo mundo político. E é ela quem talvez venha dificultando a formação dos palanques regionais, especialmente no campo da direita. Diante de um quadro sem grandes perspectivas nacionais, os políticos se movem pelos interesses locais.

DF

O Distrito Federal é um exemplo. O que inicialmente parecia um passeio rumo à eleição da vice-governadora Celina Leão (PP) para o governo do Distrito Federal com uma fácil eleição do governador Ibaneis Rocha (MDB) para o Senado corre risco com a entrada no jogo de José Roberto Arruda (PSD) para o governo e Bia Kicis e Michelle para o Senado.

Santa Catarina

Ou Santa Catarina. Se Jorginho Mello (PL) parece ter perspectiva melhor para o governo, o quadro embolou para o Senado com a ida para o estado de Carlos Bolsonaro. Caroline de Toni (PL) e Esperidião Amin disputam a outra vaga de senador. Um dos dois terá que declinar ou será derrotado. Ou os dois.

São Paulo

Ou ainda São Paulo. Com Eduardo Bolsonaro (PL) fora do jogo, não se sabe para onde irá a direita. Vários nomes se assanham. O que abre espaços para um avanço de nomes governistas, como Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB).