Por: POR RUDOLFO LAGO

CORREIO POLÍTICO | Recados à direita após pesquisas

Quaest não confirmou a murchada de Flávio | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

No final do ano passado, o Correio Político contava que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, apostava na possibilidade de algum fato que fizesse o campo conservador pressionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a desistir da sua candidatura, produzindo um rearranjo que unificasse a direita em torno da disputa presidencial. Valdemar não morre de amores pela solução Flávio, ungida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Com o sobrenome, ele preferia Michelle. Na terça-feira (13), a pesquisa do Instituto Ideia que mostrava o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o único nome a empatar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num eventual segundo turno parecia um ensaio do tal fato. Não foi.

 

Quaest não repetiu quadro

Após a pesquisa Ideia/Meio, a expectativa era quanto à nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta (14). Se ela confirmasse a murchada de Flávio Bolsonaro e o ressurgimento de Tarcísio, o fato esperado por Valdemar poderia começar a ser produzido. Mas a Quaest voltou a mostrar Flávio melhor que Tarcísio. Surpreendeu que num cenário com variedade plena dos nomes da direita quem some é Tarcísio.

Quem some é Tarcísio

Tarcísio: só mais um na corrida eleitoral? | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Nesse cenário, Lula fica à frente com 36%. E quem vem em segundo é Flávio, com 23%. Tarcísio aparece somente com 9%. Vira praticamente só mais um governador na disputa, porque Ratinho Jr (PSD), do Paraná, aparece em seguida com 7%. No cenário no qual Flávio sai e fica somente Tarcísio, ele pula para 26%. Ou seja: a saída de Flávio parece agregar pouco a Tarcísio. Aliás, a pesquisa parece mostrar que o eleitor enxerga Lula contra alguém. Todo nome que a pesquisa testa mais detidamente contra o presidente fica na mesma faixa.

Não anima o governador

Depois do respiro da Ideia, o quadro da Quaest talvez não anime muito o governador de São Paulo a não optar pelo caminho mais fácil da reeleição. Mas, de qualquer modo, há outros recados na pesquisa do instituto presidido por Felipe Nunes que chamaram a atenção e dão alento a quem não deseja Flávio. Esses dados eram lidos na quarta no campo da oposição.

Errou?

Há um empate entre aqueles que acham que Jair Bolsonaro errou ou acertou quando ungiu seu filho candidato à Presidência para manter na família seu espólio político. Acham que o ex-presidente errou 44%. Acham que ele acertou 43%. Os que acham que errou, apontam (27%) Tarcísio como o nome.

Não vota

Outro dado deixa claro que o percentual de Flávio não se altera além das suas intenções de voto. Se ele aparece com 23% no cenário, são 22% os que dizem que votariam no candidato indicado por Bolsonaro numa pergunta específica a respeito. E 49% dizem que não votariam no filho 01 de Bolsonaro.

Sobrenome

Um percentual de 43% acha que um candidato sem o sobrenome Bolsonaro poderia vencer Lula. São nove pontos percentuais a mais do que aqueles que julgam que o sobrenome da família é importante como dividendo eleitoral. No caso, pensam assim 34%. Assim, dados negativos para Flávio.

Reações

As diferenças entre a Ideia e a Quaest acabam não animando movimentos mais fortes por enquanto. A discrepância congela novos ensaios como o feito por Michelle Bolsonaro, que compartilhou um post de Tarcísio logo depois que saiu a pesquisa Ideia/Meio na terça-feira. Não veio a confirmação que se esperava da Quaest.

Mudo

Da sua parte, a intenção de Valdemar é permanecer mudo. Nos bastidores, ele resiste à escolha de Flávio Bolsonaro. Mas não irá declarar isso. Qualquer movimento que surja não partirá dele. Valdemar não irá comprar brigas públicas com a família. E se Flávio se consolidar, irá trabalhar por ele.

Centrão

Da parte do Centrão, já parece haver maior precificação de Flávio. Sua entrada já no patamar superior a 20% surpreendeu. O que o Centrão espera, porém, é sua capacidade de agregar. Há ainda quem desconfie que sua candidatura só ajuda o PL e os nomes mais à direita, escanteando os mais moderados.