Correio da Manhã
Jair Bolsonaro

Bolsonaro recebe prescrição de antipsicótico em doses elevadas na prisão domiciliar

Relatório médico indica que Jair Bolsonaro toma medicamente antipsicótico para controlar crise de soluços

Bolsonaro recebe prescrição de antipsicótico em doses elevadas na prisão domiciliar
STF confirmou que a pistola pertence a Bolsonaro Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Relatório médico enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) informa que o ex-presidente Jair Bolsonaro faz uso de Clorpromazina, medicamento classificado como antipsicótico, em doses elevadas e "nos limites da segurança terapêutica" para controlar crises recorrentes de soluço. O documento afirma que a manutenção da prisão domiciliar é necessária para garantir o acompanhamento adequado do tratamento.

Segundo o boletim, Bolsonaro permanece dependente de um conjunto de medicamentos utilizados para controlar os episódios de soluço persistente. Além da Clorpromazina, o tratamento inclui Gabapentina e Baclofeno, medicamentos que ajudem a controlar dores crônicas ou disfunções neurológicas.

"O paciente permanece dependente do uso contínuo de múltiplas medicações utilizados para controle das crises de soluços, destacando-se a necessidade de manutenção de doses elevadas, nos limites da segurança terapêutica", afirma o relatório.

Os médicos alertam que a interrupção ou redução inadequada dos medicamentos pode provocar agravamento dos sintomas, comprometendo alimentação, hidratação, sono e qualidade de vida. O documento também destaca que os remédios atuam sobre o sistema nervoso central e exigem acompanhamento regular.

"Ressalte-se que tais medicamentos possuem ação sobre o sistema nervoso central, exigindo monitorização clínica regular devido ao risco de sonolência, alterações cognitivas, comprometimento do equilíbrio e aumento do risco de quedas", registra o texto.

O relatório foi elaborado para atualizar as condições de saúde do ex-presidente e embasar a avaliação sobre a necessidade de manutenção das atuais condições de custódia. Os médicos afirmam que Bolsonaro apresenta um quadro de "multimorbidade complexa", com doenças cardiovasculares, respiratórias e gastrointestinais, além de sequelas de múltiplas cirurgias e histórico recente de queda com traumatismo craniano.

De acordo com o documento, Bolsonaro está clinicamente estável, mas essa estabilidade seria resultado da manutenção rigorosa de medidas terapêuticas adotadas durante o recolhimento domiciliar. Os médicos defendem que o ambiente doméstico oferece condições mais adequadas para garantir a continuidade do tratamento, a realização de fisioterapia e o monitoramento constante de possíveis intercorrências.