O deputado federal Glauber Braga (PSOL) criticou a versão apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT) sobre o dinheiro em espécie encontrado pela Polícia Federal (PF) em um quarto de hotel onde estava hospedado durante a Operação Compliance Zero. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar classificou como "inconcebível" a justificativa apresentada pelo líder do governo no Senado e cobrou explicações do petista.
A manifestação ocorreu após Jaques Wagner afirmar que a maior parte dos cerca de R$ 471 mil em dólares e euros apreendidos no cômodo seria proveniente de diárias internacionais pagas pelo Senado Federal e mantidas em espécie.
"Acabo de ver a entrevista do senador Jaques Wagner. A explicação sobre o dinheiro encontrado em seu imóvel é inconcebível em qualquer hipótese. Ele fala que a maior parte é fruto de diárias pagas em dólar pelo Senado Federal formalmente. Tratar isso como verdade é conceber a institucionalização do absurdo", escreveu Glauber nas redes sociais.
Na mesma publicação, o deputado também questionou a explicação de Jaques Wagner sobre sua relação com o empresário Augusto Lima, citado nas investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master.
"Outro ponto chama atenção. Ele fala da relação com Augusto Lima. Esse empresário comprou uma rede pública de supermercados do governo da Bahia e depois o então Banco Máxima (que se transformou no Master) entrou no negócio 'pra fazer empréstimos'. Mais uma vez uma privatização iniciando relações injustificáveis", afirmou.
Apesar das críticas ao senador petista, Glauber também acusou a oposição de tentar explorar politicamente o caso para desviar a atenção de outras investigações relacionadas ao Banco Master.
"A extrema-direita fará muito barulho com esse caso pra que o dinheiro no armário do líder do PL, os seus governadores metidos nos desvios e os 'pedidos' de Flávio Bolsonaro ao seu amigão Vorcaro fiquem esquecidos. Que o senador responda por seus atos e relações. Quem enfrenta a extrema-direita corrupta sem rabo preso não tem motivo pra ficar na defensiva", declarou.
Na quarta-feira (18), Jaques Wagner afirmou que os cerca de US$ 55 mil e 33,5 mil euros encontrados pela PF correspondem, em sua maior parte, a diárias internacionais recebidas ao longo dos anos como senador.
Segundo ele, parte dos recursos foi mantida em moeda estrangeira após viagens oficiais, enquanto outra parte decorre da compra de dólares e euros com recursos próprios para futuras viagens. O senador também negou qualquer relação comercial com o Banco Master e afirmou que o apartamento citado pela investigação seria destinado à filha.sua filha.
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