Correio da Manhã
Nunes Marques

STF rejeita pedido de senadores para afastar Nunes Marques de ação sobre CPI do Banco Master

Fachin aponta perda de prazo processual e mantém Nunes Marques na relatoria da ação sobre CPI do Banco Master

STF rejeita pedido de senadores para afastar Nunes Marques de ação sobre CPI do Banco Master
Nunes Marques acolheu argumentos de representação do PL Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido apresentado por senadores de oposição para afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria da ação que discute a instalação da CPI do Banco Master no Senado. A decisão foi tomada sem análise do mérito das alegações e teve como fundamento a perda do prazo processual.

O pedido havia sido protocolado pelos senadores Eduardo Girão (Novo), Alessandro Vieira (MDB), Plínio Valério (PSDB) e Marcos Pontes (PL) — este último do mesmo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável pela indicação de Nunes Marques ao Supremo. Os parlamentares alegavam que o ministro deveria ser declarado suspeito para atuar no caso em razão da relação histórica com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado nas investigações da Operação Compliance Zero.

Os senadores sustentaram que a suspeição ganhou "nova e definitiva dimensão jurídica" após decisão do ministro André Mendonça que autorizou medidas cautelares contra Ciro Nogueira e empresas ligadas ao parlamentar. Segundo os autores, o núcleo investigado pela Polícia Federal (PF) coincidiria com os fatos que motivaram o pedido de criação da CPI do Banco Master.

Na decisão, Fachin afirmou que a arguição foi apresentada fora do prazo previsto no Regimento Interno do STF. O mandado de segurança foi distribuído para Nunes Marques em 26 de março de 2026, enquanto o pedido de suspeição só foi protocolado em 12 de maio. "Extrapolou em mais de um mês o término do prazo regimental para deduzir a pretensão", escreveu Fachin.

O presidente da Corte também classificou a iniciativa como "manifestamente incabível" e citou precedentes do Supremo que estabelecem prazo de cinco dias após a distribuição do processo para questionamentos sobre eventual suspeição do relator.

Redistribuição a André Mendonça

Os senadores argumentavam que os fatos novos surgidos nas investigações contra Ciro Nogueira reabririam o prazo para a medida. Fachin, porém, rejeitou a tese e manteve Nunes Marques na condução da ação sobre a CPI do Banco Master.

Na petição, os parlamentares afirmaram que haveria "necessidade de preservação da aparência objetiva de imparcialidade da jurisdição constitucional". Eles também pediam que o caso fosse redistribuído, com análise de eventual conexão com a investigação relatada por André Mendonça.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao grupo financeiro.