O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo de Donald Trump pretende ampliar sua influência na América do Sul diante de uma "nova onda de governos pró-EUA". Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Rubio citou o Brasil entre os países que poderão receber assistência na área de segurança, combate ao narcotráfico e enfrentamento ao crime organizado.
A declaração consta na proposta orçamentária do Departamento de Estado para o ano fiscal de 2027. No texto, Rubio afirma que Washington vê uma "oportunidade geracional" para aprofundar a cooperação policial e ações contra organizações criminosas transnacionais na América do Sul, como o Comando Vermelho (CV) e o PCC.
O trecho integra ações coordenadas pelo Departamento de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL), órgão do Departamento de Estado responsável por programas internacionais de combate ao narcotráfico, crime organizado e cooperação policial.
"Na América do Sul, o INL aproveitará uma oportunidade geracional para fortalecer laços com a onda de novos governos pró-EUA", afirma o documento obtido pela coluna, assinado por Rubio.
Segundo o texto, os Estados Unidos pretendem "expandir a cooperação policial e antidrogas" para enfrentar ameaças relacionadas ao narcotráfico, organizações criminosas transnacionais e produção de drogas na região.
Na sequência, o relatório cita o Brasil entre os países que poderão receber o auxílio norte-americano. "Assistência poderá ser fornecida a: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai", registra a proposta enviada ao Congresso.
De acordo com o governo dos EUA, US$ 535 milhões (cerca de R$ 2,77 bilhões) serão destinados a programas de combate ao tráfico de drogas, enfrentamento ao crime organizado, controle de precursores químicos usados na fabricação de entorpecentes e cooperação entre forças de segurança.
"O INL financiará programas, incluindo muitos implementados por agências de aplicação da lei dos EUA, para fornecer a parceiros estrangeiros conhecimento técnico, treinamento e equipamentos destinados a detectar e interromper o tráfico ilícito de drogas, o contrabando de migrantes para os Estados Unidos e combater interferências malignas em territórios de países parceiros", detalha Rubio.
Influência na
América Latina
A proposta também reforça a estratégia do governo Trump de ampliar a influência política e econômica dos EUA na América Latina. Em outro trecho, o Departamento de Estado estabelece como prioridade "combater e reverter a influência de competidores no Hemisfério Ocidental" e "suprimir gangues e cartéis narcoterroristas".
O documento também afirma que programas ligados à política externa norte-americana terão como objetivo ampliar a presença estratégica dos Estados Unidos no mundo. "Os programas capacitarão os americanos com redes e habilidades estrangeiras críticas para avançar a dominância dos EUA no comércio, tecnologia e segurança, a fim de expandir a influência dos EUA globalmente", diz o texto.
A proposta orçamentária ainda reduz recursos para organismos multilaterais e programas tradicionais de ajuda externa. Ao mesmo tempo, amplia investimentos voltados à segurança internacional, combate ao narcotráfico e interesses estratégicos dos EUA na região.
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