Por: POR MARTHA IMENES

CORREIO ECONÔMICO | Petrobras descarta impacto no abastecimento brasileiro

Expectativa de que óleo Brent chegue a US$ 185 o barril | Foto: Diesel Economics

A Petrobras informou que não há risco de desabastecimento de petróleo no Brasil, mesmo com a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A estatal garantiu que suas operações de importação e exportação seguem normalmente e que não há previsão de interrupção no fluxo de petróleo e derivados, afastando temores de impacto imediato no mercado interno.

Em nota, a companhia explicou que possui rotas alternativas fora da área de conflito. Segundo a Petrobras, essa estratégia garante segurança e custos competitivos, preservando as margens da empresa. A estatal acrescentou que a maioria dos fluxos de importação não passa pela região em crise.

 

20% da produção passa por Ormuz

O alerta aumentou após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. A medida foi uma resposta a ataques envolvendo Estados Unidos e Israel e elevou o risco de interrupções no transporte da commodity, pressionando os preços globais. Com a tensão, o barril do Brent chegou a subir 13%, ultrapassando os US$ 82, maior valor desde janeiro de 2025, antes de recuar ao longo do dia.

Efeito somente se passar de US$ 100

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o Brasil pode sentir os efeitos da alta do petróleo caso o barril ultrapasse os US$ 100. Segundo ele, enquanto os preços se mantiverem entre US$ 75 e US$ 85, não há risco relevante de pressão inflacionária. Ele explicou que o atual patamar ainda é suportável para a economia brasileira e lembrou que o país também se beneficia da exportação de petróleo, o que ajuda a compensar parte dos impactos. No entanto, destacou que uma escalada maior nos preços poderia trazer consequências mais fortes para a inflação.

Haddad não vê impacto imediato

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o conflito no Oriente Médio não deve trazer efeitos imediatos para a economia brasileira. Ele ressaltou que o país vive um bom momento de atração de investimentos, mas alertou que uma escalada maior da guerra poderia mudar esse cenário. Haddad afirmou que o governo acompanha a situação com cautela e está preparado para diferentes cenários.

Estreito de Ormuz

A guerra no Oriente Médio, que restringe a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, já começa a impactar os preços do frete e pode trazer efeitos no fluxo global de óleo e gás. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã aumenta a incerteza sobre o transporte da commodity e pressiona os custos logísticos.

Frete marítimo

Nos últimos dias, o preço do frete marítimo subiu de forma significativa e deve permanecer em alta nas próximas semanas. Analistas avaliam que ainda é cedo para estimar o impacto direto sobre o preço do petróleo, mas destacam que a tendência é de manutenção em patamar elevado na crise.

Decisões do setor

Apesar da valorização do óleo Brent, especialistas afirmam que decisões estratégicas de investimento no setor não costumam ser tomadas com base em variações de curto prazo. O mercado observa com atenção a duração do conflito e seus efeitos sobre o fluxo de petróleo no Golfo e o impacto na inflação global.

Investimentos

No Brasil, empresas do setor de energia já avisaram que vão manter seus planos de investimento. A Petrobras, por exemplo, confirmou que não há mudanças imediatas em seu cronograma e que decisões de longo prazo dependem da estabilidade dos preços ao longo de meses, e não apenas de semanas de oscilação.

Agronegócio

O conflito, segundo André Aidar, especialista em Direito do Agronegócio, pode afetar o setor no Brasil. Ele pontua que a alta do petróleo encarece o diesel usado nas operações agrícolas e no transporte interno, além de pressionar os fretes marítimos. Isso reduz a competitividade do produtor brasileiro nas exportações.

Insumos

Tensões costumam elevar preços globais e gerar instabilidade nas rotas comerciais, mesmo quando o Irã não é fornecedor do Brasil. "A valorização do dólar favorece exportações no curto prazo, mas encarece insumos importados, o que pode reduzir margens nas próximas safras", explica.