Por: POR MARTHA IMENES

CORREIO ECONÔMICO | Efeito Trump: tarifas elevam pressão sobre exportações

Setores exportadores podem sentir pressão nas margens | Foto: José Cruz/Agência Brasil

A nova rodada de tarifas anunciada pelo governo dos Estados Unidos trouxe preocupação ao mercado e impacto imediato para o Brasil. Especialistas avaliam que, embora o efeito sobre o PIB nacional seja moderado no geral, setores exportadores podem sentir forte pressão nas margens e nos investimentos.

A alternativa, segundo eles, é o crédito estruturado, que é uma modalidade de financiamento personalizada e flexível, desenhada para atender necessidades específicas de empresas, combinando diferentes métodos. Ao contrário de empréstimos bancários tradicionais, ele transforma ativos (como recebíveis, contratos ou imóveis) em instrumentos de dívida negociáveis, permitindo prazos e condições flexíveis.

 

Nova tarifa iguala condições

Para o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o impacto agora está igualado. Ele comparou a nova taxa (15%) com a situação anterior: "Nós estávamos com 50% de tarifas em muitos produtos, e os concorrentes com 10% ou 15%. Agora, fica tudo muito igual e em alguns setores nós ficamos com zero. Como eu destaquei aqui, avião, ônibus, aeronáutica, suco de laranja, celulose, tarifa zero".

Alternativa para o crédito saudável

Nesse cenário, empresas que dependem do comércio exterior buscam alternativas para manter o caixa saudável. Uma das soluções apontadaspor especialistas é o crédito estruturado, que oferece mais flexibilidade para reorganizar dívidas e mitigar riscos comerciais.

Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, mudanças nas regras do comércio internacional costumam gerar ajustes rápidos nos ativos financeiros. "O impacto aparece primeiro no dólar e na curva de juros", diz Lima.

Imposição de taxas amplia incerteza

Na mesma linha, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, destacou que a imposição de tarifas amplia a incerteza externa e pressiona diretamente empresas exportadoras. "Embora o efeito sobre o PIB brasileiro deva ser moderado, o impacto setorial pode ser relevante. Nesse cenário, o crédito estruturado tende a ganhar espaço porque oferece alternativas mais flexíveis e customizadas", avalia.

Previsibilidade

"O crédito estruturado oferece previsibilidade e soluções sob medida para empresas que precisam ajustar fluxo de caixa e reorganizar passivos. Para o investidor, a orientação é manter equilíbrio de carteira e reforçar diversificação", acrescenta o executivo-chefe da Referência Capital, Pedro Ross.

Prêmio

Já Edgar Araújo, da Azumi Investimentos, destacou que o prêmio exigido para ativos sensíveis ao comércio exterior tende a subir. "O impacto sobre o PIB brasileiro será concentrado em segmentos específicos, mas pode afetar confiança empresarial e decisões de investimento", afirmou.

Startups

Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, o efeito também chega ao ecossistema de startups, principalmente pelo canal da confiança e do custo de capital. "Investidores de venture capital tendem a reforçar critérios de governança e disciplina financeira, priorizando modelos mais resilientes", afirma.

Correção

"O impacto agregado depende da abrangência das medidas e da capacidade de redirecionamento comercial", pontua o executivo da Equity Group, João Kepler.

Em contraponto, Peterson Rizzo, gerente de RI da Multiplike, avaliou que decisões recentes da Suprema Corte americana reduziram distorções.

Crescimento

"As novas tarifas (aplicadas pelos EUA) elevam a incerteza e podem pressionar setores exportadores, limitando o ritmo de crescimento do PIB brasileiro. Nesse contexto, o crédito estruturado tende a ganhar espaço", disse André Matos, CEO da MA7 Negócios, para quem o cenário exige postura defensiva.

Revisão

Por fim, Fábio Murad, economista da Super-ETF Educação, reforçou que o risco geopolítico deve ser tratado como variável estrutural: "Momentos como esse não são convite à saída abrupta, mas à revisão estratégica de exposição. Educação financeira é entender que ciclos de tensão criam ruído de curto prazo".