Por: Martha Imenes

CORREIO ECONÔMICO | Alckmin: Brasil espera rápida assinatura do acordo com a UE

Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deve demorar menos que o esperado. A avaliação foi feita pelo vice-presidente da República e também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), que destacou a relevância do tratado para o Brasil, o bloco sul-americano e o comércio internacional.

"O acordo Mercosul-União Europeia é importante para o Mercosul e para o mundo, para o avanço do multilateralismo. Esperamos que o mais rápido possível seja assinado", analisou Alckmin. Ele destacou que, apesar das resistências políticas de alguns países, o governo brasileiro mantém otimismo quanto à conclusão do processo.

 

Carro sustentável

Alckmin detalhou o programa "Carro Sustentável", que oferece crédito para a renovação da frota de caminhões, com foco em segurança viária, saúde pública e estímulo à indústria. A ação prevê financiamento com juros variados para motoristas autônomos e frotistas, condicionado ao descarte de veículos antigos.

Agenda voltada à desburocratização

Alckmin apresentou uma agenda voltada à desburocratização, estímulo ao investimento estrangeiro e fortalecimento da indústria. Entre os anúncios, destacou a criação da Janela Única de Investimento, prevista para o início de 2026, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A ferramenta deve centralizar processos e reduzir custos para investidores interessados.

Brasil quer ampliar parcerias internacionais

Alckmin afirmou que o Brasil trabalha para ampliar acordos comerciais com outros parceiros estratégicos. Segundo ele, o governo está otimista para que até julho haja avanços nas negociações com o México para aumentar as linhas tarifárias de preferência. "O mesmo vale para a Índia", acrescentou o ministro. Já com Canadá e Emirados Árabes Unidos, o objetivo é aprofundar discussões em direção a acordos mais amplos de livre comércio.

 

México

Sobre a recente elevação de tarifas do México, aprovadas no início do mês pelo governo local, Alckmin ressaltou que acordos já existentes, como o automotivo, não serão atingidos. Com isso, o impacto estimado das medidas caiu para cerca de US$ 600 milhões, abaixo da projeção inicial, que superava US$ 1 bilhão.

Mover

Alckmin comentou também sobre o programa Mover, que destinou R$ 3,8 bilhões em crédito em 2025 e prevê mais R$ 3,9 bilhões no próximo ano. Os recursos foram destinados à inovação, eficiência energética e segurança automotiva. A política estimulou R$ 190 bilhões em investimentos privados.

Recursos

Segundo o ministro, além dos R$ 6 bilhões garantidos pela Medida Provisória 1.328 o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fará um aporte de R$ 4 bilhões para o programa. Com os recursos adicionais, esclareceu Alckmin, a linha especial de crédito para a renovação de caminhões terá R$ 10 bilhões disponíveis.

Otimismo diante do protecionismo

Mesmo diante do aumento de medidas protecionistas no cenário global, incluindo o tarifaço adotado pelos Estados Unidos a diversos países em todo o mundo, Alckmin prevê que o Brasil deve encerrar o ano com recorde nas exportações. De acordo com o ministro, a maior parte das vendas brasileiras ao mercado estadunidense ocorre com tarifas baixas ou nulas.

"Vejam como é importante abrir mercados. O Brasil deve fechar o ano com recorde de exportações", afirmou ele em conversa com os jornalistas na última semana.

Vendas

No setor de veículos de passeio, o ministro destacou o crescimento nas vendas de modelos considerados "carros sustentáveis" de entrada, impulsionado por incentivos tributários considerados fiscalmente neutros. "De julho até agora, aumentou 51% a venda de veículos do carro sustentável", disse ele.

Acordo

Alckmin relembrou que, em 2023, foi firmado o acordo entre Mercosul e Singapura. No segundo semestre deste ano, ocorreu a assinatura com a Associação Europeia de Livre Comércio, que reúne Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia. Já o entendimento com a União Europeia segue em adiamento temporário.