Ao defender o colega Ricardo Couto em entrevista Folha de São Paulo, o ex-presidente do TJRJ, desembargador aposentado Henrique Figueira, acabou provocando um efeito inesperado no meio dos desembargadores da ativa do Tribunal de Justiça.
Involuntariamente, Figueira trouxe os holofotes para a Corte no meio de uma polêmica sobre a inconstitucionalidade do Executivo estadual do Rio de Janeiro estar sendo ocupado por interventor judicial, já que a linha sucessória foi recomposta no dia 17 de abril com a eleição do Presidente da Assembleia Legislativa. Quem responde agora pelo estado é o CPF do desembargador Ricardo Couto de Castro e não o CNPJ do TJRJ. As suas decisões são individuais e até os desembargadores mais próximos não são consultados.
Comandar o Executivo estadual pelo efeito de uma liminar e pelo pedido de vistas dos dois ministros do STF da cota pessoal de Lula, em uma reclamação originária de um pedido do PSD estadual, causa um profundo constrangimento aos desembargadores que zelam pelo respeito às leis e especialmente à Constituição. Tudo que eles não querem é ver a imagem do TJRJ misturada nesta confusão e limbo jurídico.