Leonel Brizola deve estar se revirando no túmulo com os rumos que o seu amado PDT tomou nos últimos meses. O partido, através do seu presidente, Carlos Lupi, e do seu sucessor no Ministério da Previdência, Wolney Queiroz, protagonistas no maior escândalo do Governo Lula, os descontos fantasmas na aposentadoria dos velhinhos, resolveu posar de vestal da moralidade no estado do Rio e pedir voto secreto na eleição que deve ocorrer nesta sexta, 17 de abril, às 11 horas da manhã.
Uma dia antes, a presidente em exercício do TJ-RJ, desembargadora Suely Lopes Magalhães, já havia negado um pedido de adiamento da eleição do presidente da Alerj e o mesmo grupo tentou, 24 horas depois, defender o voto secreto para a eleição desta sexta. Novamente a desembargadora abortou a interferência destas manobras para manipular o Judiciário para atender interesses eleitorais do deputado Vitor Júnior, do PDT.
O PDT tem o seu berço no Rio de Janeiro. Brizola foi um dos maiores governadores que o estado já teve e o seu legado é reconhecido pela história. Ele nunca concordaria que o seu partido abrigasse protagonistas de escândalos nacionais e que usasse a justiça para beneficiar a candidatura de um parlamentar com a pequenez política do desconhecido Vitor Junior, que carrega um passível de inegáveis incoerências. Em Niterói, o PDT é usado e abusado pelo alcaide Rodrigo Neves, outro protagonista de polêmicas e denúncias. Ele não herdou nenhuma das virtudes que transformaram Brizola em um gigante da política brasileira e o garantiu um lugar na história da nação.