O clima na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já era ruim, mas desandou de vez agora. Isso porque caiu como uma bomba entre o corpo técnico o vazamento da notícia de que dois dos principais profissionais da autarquia, o Superintendente-geral, Alexandre Pinheiro dos Santos, e o Superintendente de fundos, Marco Velloso, serão afastados de seus cargos.
Além do corpo técnico, o mercado também foi pego de surpresa com o anúncio dos dois afastamentos. No caso de Velloso, a reação foi mais protocolar, já que sua atuação vinha sendo alvo de críticas recorrentes dos participantes da indústria de fundos.
Já a saída de Alexandre Pinheiro teve outro efeito: gerou perplexidade. Apesar de ser visto por alguns como um perfil mais burocrático, Pinheiro sempre foi considerado internamente como um quadro técnico íntegro e responsável.
Nos corredores da autarquia, o comentário é de que o vazamento da informação teria partido do próprio presidente interino da CVM, João Accioly, já que não houve confirmação oficial da notícia até o momento.
O movimento foi interpretado pelo mercado como uma tentativa do presidente interino de afastar a CVM das consequências das investigações sobre a debacle do Banco Master. Foi justamente Accioly, ao lado do então diretor Otto Lobo, quem segurou por quase um ano a análise de um termo de compromisso relacionado ao caso Master. O assunto só voltou a andar na autarquia em dezembro de 2025, quando o banco já havia sido liquidado e Daniel Vorcaro estava preso.
Num caso relacionado, Accioly e Lobo também lideraram o movimento para liberar a Ambipar de realizar uma Opa após o aumento de participação do controlador, contrariando a posição da área técnica da autarquia.