Ministro do Rio acaba tendo protagonismo na sucessão do seu estado
O prefeito Eduardo Paes jogou pesado nesta terça-feira para viabilizar, junto ao ministro Luiz Fux, uma decisão que tire de uma só vez dois candidatos ao mandato tampão da Alerj.
A pressão sobre o ministro foi enorme e envolve até um braço da Febraban, a poderosa Federação de Bancos.
O rumor no início da noite é que o Ministro iria rever sua posição e passaria a exigir o prazo da desincompatibilização de 180 dias não só para a eleição ordinária (que é 04 de abril) como também para a data eleição do mandato tampão.
De uma só vez ficariam inviabilizados os candidatos André Ceciliano e Douglas Ruas, que hoje ocupam cargo no executivo. Eles precisariam de uma bola de cristal para adivinhar a data da eleição indireta e deixar o cargo seis meses antes de algo improvável, com data indefinida e com muitas variáveis.
O sentimento, também pelas ADPFs do próprio Supremo, era que a decisão exigiria que os candidatos deveriam estar desincompatibilizados apenas nos seis meses da eleição ordinária. A decisão da "bola de cristal" para os candidatos surge só agora depois da pressão dos correligionários e aliados de Paes, inclusive os do sistema bancário.
Chega a ser irônico que uma decisão do ministro do Rio traga uma tranquilidade eleitoral para um dos candidatos em dose dupla. Tanto Ruas como Ceciliano poderiam trazer problemas para Eduardo se estivessem sentados na cadeira de governador temporário.
O receio do grupo de Paes é o fantasma de André Ceciliano, já que no Planalto e na cúpula do PT a desconfiança sobre a fidelidade do ainda prefeito do Rio está consolidada. As últimas agendas de Paes com a sua companheira a Vice, Jane Reis junto, a comunidade evangélica pró-Bolsonaro não foi deglutida pelos estrategistas de Lula.
Sem Douglas Ruas como Governador e sem André Ceciliano, as razões para Eduardo Paes comemorar foram enormes nesta terça, 17, noite que teve luzes acesas no gabinete de alcaide até tarde.