O jornal O GLOBO possui um dos mais modernos parques gráficos do país, com rotativas que são as melhores do mundo e uma equipe de impressores ganhadora de prêmios internacionais. Ficou feio para o jornal jogar a culpa da não publicação do caderno especial com a apuração dos resultados do grupo especial de quarta para quinta no seu premiado parque gráfico.
No hemisfério Sul não há nenhum outro parque de impressão de jornais similar e era o grande orgulho do Dr Roberto Marinho. Na edição de quinta, 19, apesar da chamada na primeira página, o jornal circulou sem o caderno de Carnaval. Só que não saiu na edição impressa e nem na digital. Os PDFs que circularam não traziam também o caderno, por isso não cola jogar a responsabilidade na área industrial.
Foi o grande paradoxo do Carnaval. O jornal que realiza o Estandarte de Ouro, do mesmo grupo que tem a exclusividade da transmissão do desfile e que transmitiu ao vivo a apuração, esqueceu de programar a impressão e inserção do caderno, que era o único espaço no jornal que trazia o resultado.
A central de atendimento ao assinante ficou congestionada e os donos de bancas receberam reclamações dos exemplares vendidos de forma desfalcada.O efeito colateral foi esgotar a venda dos jornais Extra, O Dia, Correio da Manhã e Meia Hora que traziam a íntegra dos resultados.
Na sexta, 20, O Globo publicou finalmente o caderno, que, na véspera, já havia sido disparado de forma extraordinária para os assinantes on-line. Nesta edição, trazia uma justificativa atribuindo o erro como "uma falha do nosso parque gráfico", com um tímido pedido formal de desculpas.
O Correio da Manhã voltou a circular em 2019, impresso no parque gráfico de O GLOBO, o que nos ajudou muito na nossa retomada. Neste período, pudemos avaliar a razão de tanto orgulho do Dr Roberto. Na pandemia, eles reduziram a equipe, paralisaram uma das rotativas e suspenderam os serviços de terceiros, o que nos levou a investir nos nossos parques próprios de impressão (hoje são cinco: Petrópolis, Volta Redonda, Campinas e dois em Brasília).
O caderno com o resultado do Carnaval não circular seria o equivalente ao não distribuir o caderno com o resultado das eleições de 2026. O que não se pode concordar é jogar a culpa em uma área industrial que vem sendo pouco a pouco sucateada, reduzida e que muitos apostam que poderá até ser extinta. Esta é uma turma que recebia uma atenção especial dos dirigentes e fundadores do jornal e que hoje trabalham de forma heróica. É um lapso que vai ser usado em palestras e que não passou despercebido do mercado como uma grave desatenção ao produto jornal impresso.