Por: Cláudio Magnavita

Coluna Magnavita | Na conta de Janja todo o estrago que a pré-campanha de Lula sofre com o desastre na Sapucaí

O fator de Janja está de volta | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O fator Janja voltou a atingir a candidatura de Lula novamente. Se o rejuvenescimento do presidente, creditado à atuação da primeira-dama, vinha reabilitando o seu prestígio junto aos estrategistas da reeleição, a sua insistência com o desfile da Sapucaí criou um novo revés.

Os primeiros meses do governo e as interferências de Janja na equipe da Secretaria de Comunicação da Presidência, na gestão de Paulo Pimenta, causaram um colapso na imagem de Lula. O ministro Sidônio Palmeira foi chamado como interventor e exigiu carta branca para cuidar da recuperação da imagem e começou a colher bons frutos.

Neste período, Janja se recolheu e deixou de forçar um protagonismo que teve como ápice pousar entre Lula e Joe Biden no salão oval da Casa Branca. Foi ela quem insistiu no desfile da Acadêmicos de Niterói. Abraçou o enredo, desfilou no ensaio técnico e seria a estrela do carro dos artistas. Bateu o pé e se contrapôs aos conselheiros mais prudentes que alertavam para o risco de propaganda eleitoral antecipada.

O cerimonial da Prefeitura perdeu a soberania sobre o camarote de Eduardo Paes. Foi ela que, pessoalmente, escolheu quem deveria ou não ser chamado para o espaço. O clima estava tão pesado que depois da passagem da escola lulista, os Eduardos, o Paes e Cavaliere, se refugiaram no camarote do primeiro andar do setor 9, geralmente reservado para o vice-prefeito e convidados de segunda linha.

No camarote do setor 11, no espaço Janja, teve até bate boca, como revelou Mônica Bergamo, da Folha, entre a primeira-dama e a única filha biológica de Lula, Laurian. Aguerrida e com o DNA do pai, ela se impôs e não acatou a ordem de deixar o espaço. É a primeira notícia pública de alguém que resolveu enfrentar a primeira companheira. Os laços indissolúveis da filha 01 deram coragem para o enfrentamento.

O marqueteiro João Santana fez uma das mais lúcidas análises do tiro no pé do que ocorreria com o desfile. No final da passagem da escola, a turma do Planalto estava respirando até aliviada. Janja desistiu de desfilar já na concentração, ficando amuada no contêiner refrigerado. Nenhum ministro participou e só os artistas convidados, pessoalmente pela primeira-dama, subiram no carro alegórico.

O alívio virou preocupação depois, por causa das latinhas. A ironia com os evangélicos e às famílias pegou todos de surpresa (menos Janja, que conhecia cada detalhe do desfile) e fez transbordar o caldo. O que estava sendo considerado um empate, um zero a zero no final do desfile, virou um desastre junto ao público e eleitores que Lula tenta conquistar.

O rebaixamento da escola, que amargou uma das piores notas da Sapucaí, virou um segundo tempo do desastre. Rejeição absoluta ao enredo e ao horrendo desfile. A ironia do campeonato ser conquistado pela Viradouro, da mesma Niterói, que recebeu as mesmas verbas públicas, só agravou os sinais do desgaste.

Outra interferência de Janja que chamou atenção da oposição e terá efeito explosivo: o colunista de O Globo, Lauro Jardim, revelou que a própria primeira-dama se empenhou para conseguir patrocínio de empresas privadas para a escola. Se a notícia for comprovada, com o pedido de quebra do sigilo bancário da Acadêmicos de Niterói, a coisa vai ficar séria na questão da Justiça Eleitoral.

Quem tem adorado todo este cenário e a volta da Janja ao protagonismo político é a campanha de Flávio Bolsonaro, que chama a moça de eleitora Número 1 do Senador.

Um detalhe não escapou aos olhos mais atentos. Ela vetou totalmente a participação do prefeito de Maricá, Quaquá, e do seu filho, Diego Zeidan, presidente do PT estadual, no desfile. Ficaram na deles. Novamente o destino foi irônico. A escola que tem Quaquá como patrono, a União de Maricá, foi a campeã da Série Ouro e vai abrir o desfile do grupo especial de 2027. Já há quem recomende a ele dar uma luvada de pelica na moça. Já que agora ele terá uma escola no grupo especial para chamar de sua, Quaquá poderá compensar a frustração da moça de não pisar oficialmente na Sapucaí em 2026 e a convidar para ser Rainha da Bateria no próximo ano.