O jurista brasileiro Rodrigo Mudrovitsch assumiu nesta segunda-feira, 26 de janeiro, a presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, em cerimônia realizada em San José, capital da Costa Rica, sede do tribunal.
Sem citar casos específicos, Mudrovitsch fez uma defesa enfática do multilateralismo e do fortalecimento do direito internacional como caminhos indispensáveis para enfrentar a crescente imprevisibilidade da geopolítica mundial e a tentativa de relativização dos princípios que estruturam a ordem internacional desde o pós-Segunda Guerra Mundial.
A posse do novo presidente também marcou a abertura do Ano Judicial Interamericano de 2026. O magistrado, que ocupava a vice-presidência da Corte, alertou para a ascensão do unilateralismo em diferentes regiões do mundo e para o risco que esse movimento representa à democracia e aos direitos humanos.
Segundo ele, a paz e a convivência internacional só podem ser construídas de forma consistente quando alicerçadas no respeito aos direitos humanos e às normas do direito internacional. "Fora do manto protetivo dos direitos humanos, a promessa de convivência pacífica é vã", afirmou.
A cerimônia contou com ampla presença de autoridades do Brasil e de outros países do continente. Estiveram presentes o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além de outros políticos e magistrados de cortes supremas e constitucionais da América Latina e do Caribe, representantes do corpo diplomático, de organismos internacionais e da sociedade civil.