Os desdobramentos do incêndio do Shopping Tijuca continuam a refletir e colocar uma lupa na atuação do Corpo de Bombeiros do Rio. Além do MPRJ, as notícias sobre a atuação de empresas ligadas a oficiais da corporação na concessão de licenças e a diminuição da fiscalização chamam atenção dos órgãos de controle do estado e do próprio gabinete do governador.
Esta flexibilidade possibilitada pela aprovação de projetos feitos por empresas de parentes, amigos, testa de ferro e até namoradas de oficiais e ex-oficiais do CBMERJ, ganha uma dimensão ainda maior com a proximidade do Carnaval e as estruturas de camarotes na Sapucaí. Os bombeiros sempre foram cri-cris com o próprio Sambódromo, já os camarotes milionários a farra é total.
Não é raro ver estas pessoas que cuidaram da liberação das licenças, recebendo sacolas e mais sacolas de camisetas e kits do camarote. É só ver a coleção de fotos. Até ex-comandantes gerais com camisetas de camarotes privados, o que não é permitido pelas regras de compliance do estado.
A vista grossa para a superlotação dos camarotes e a inexistência de rotas de escape para tanta gente, principalmente pelos projetos que tiveram aprovação destas companhias com relações incestuosas com a corporação é uma demonstração que Deus é brasileiro e carioca, afinal, algum incêndio em um espaço tão confinado causaria uma tragédia similar a da boate kiss ou o que ocorreu na Suíça no ano novo.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) também quer colocar lupa nestas empresas ligadas a parentes e ex-oficiais e ver em que processos robustos eles atuam. É um mercado milionário que tem levado oficiais e ex-oficiais a terem sinais externos de riqueza muito acima das suas rendas.
O poder de influência da rede de ex-oficiais milionários é tão forte que, mesmo na reserva, eles influem nas indicações para postos de comandos, principalmente em áreas vitais para as licenças concedidas de forma enviesada.
O prefeito Eduardo Paes já demonstrou preocupação com as licenças que são concedidas no Sambódromo e para os super camarotes.
Um detalhe sobre o funcionamento destes camarotes é o período off-desfiles, com grandes festas que utilizam estas estruturas. Nestes casos, a superlotação é a regra.
Com uma fiscalização frágil ou flexibilizada pela presença destas empresas, é só uma questão de tempo para ocorrer uma tragédia. O incêndio do Shopping Tijuca ainda vai dar muito o que falar.