Por: Cláudio Magnavita

Coluna Magnavita | Marca Varig é jogada no lixo pela GOL que deixa de renovar a propriedade junto ao INPI

Quando o Grupo Abra, proprietário da GOL, anunciou a aquisição de cinco Airbus A330Neo, muitos profissionais da aérea vislumbraram a possibilidade de a VARIG voltar a voar em longo curso. A ideia, porém, foi descartada não por motivos mercadológicos ou estratégicos. Simplesmente por que a marca expirou. Isso mesmo, a GOL não teve interesse de manter um ativo patrimonial vivo e deixou caducar todos os registros de marca junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). | Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

Quando o Grupo Abra, proprietário da GOL, anunciou a aquisição de cinco Airbus A330Neo, muitos profissionais da aérea vislumbraram a possibilidade de a VARIG voltar a voar em longo curso. A GOL comprou a VRG, empresa que surgiu como unidade produtiva da velha Viação Aérea Rio Grandense S/A e uma das grandes marcas da aviação mundial.

Após a aquisição pela GOL, a empresa chegou a voar em rotas no exterior, principalmente para Europa, em uma primeira experiência de voos de longo curso que empastelou uma tripulação inexperiente com os veteranos da Varig, só que os novatos da GOL eram mais antigos na empresa e tinham matrículas mais antigas. Foi um vexame: aeronave pousando em pista auxiliar, aviões fazendo escalas técnicas forçadas antes do destino final porque procedimentos básicos não foram seguidos, e voos de repatriação após o cancelamento abrupto das rotas internacionais por decisão dos então controladores, a família Constantino.

A GOL seguiu os passos de sucesso da Panamenha Copa Airlines e começou a usar os 737-800 Max para rotas de longo curso continentais, como Brasília/Miami. Um sucesso.

A chegada dos Airbus A330 exigirá uma nova aviação para a GOL, a de wide-body's de longo curso, com duplo corredor. Uma aviação que os variguianos do quadro da empresa tirarão de letra. A ideia de retornar a marca Varig para voos de longo curso foi descartada, porém, não por motivos mercadológicos ou estratégicos. Simplesmente por que a marca expirou. Isso mesmo, a GOL não teve interesse de manter um ativo patrimonial vivo e deixou caducar todos os registros de marca junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Todos os processos ligados a Varig caducaram porque a empresa proprietária esqueceu de fazer o depósito de renovação.

Para um analista de aviação, "é inconcebível que uma empresa com acionistas e listada na Bolsa, abra mão de um ativo patrimonial de uma marca planetária".

O investimento para manter a marca Varig sob seu controle era mínimo, o preço de uma única passagem de ponte aérea. Evitaria até que ela fosse usada por um novo concorrente.

Hoje a marca Varig é disputada por empresas que fizeram o registro. A GOL jogou no lixo, para prejuízo dos seus acionistas, dezenas de marcas que fizeram a história da aviação mundial. Foi esquecimento ou desprezo com a história?

 

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Todas as marcas Varig da Gol e VRG foram extintas | Foto: Reprodução

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Até a marca com a Rosa dos Ventos foi extinta | Foto: Reprodução

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"Registro EXTINTO, com base na norma legal indicada" | Foto: Reprodução