O freio de arrumação do processo sucessório no campo da direita no estado do Rio de Janeiro serviu para começar a arrumar a casa. A primeira delas será trazer de volta o senador Flávio Bolsonaro ao protagonismo político no Rio.
O parlamentar se distanciou muito da sua base. Ao mudar para Brasília, durante o período da presidência de Jair Bolsonaro, ele viveu um duplo papel, o de filho do presidente e interlocutor com o Congresso. O Rio foi esquecido.
Os parlamentares que Flávio ajudou a eleger, Rodrigo Amorim, Alexandre Knoploch, Léo Vieira e Filippe Poubel (PL), entre outros, primeiro se abrigaram com Wilson Witzel. WW se afasta de Bolsonaro e perde os deputados, que depois formam a tropa de choque do emergente Rodrigo Bacellar na Alerj. O grupo mais leal a Bacellar tem o DNA político do senador.
Sem residir no Rio e com raras incursões no interior, Flávio perdeu a sua relação com os prefeitos. A nova safra ficou ainda mais distante.
No caso da candidatura de Rodrigo Bacellar, houve manifestações públicas que geraram sinais trocados e que excluíram o papel do Governador Cláudio Castro como elo de Bacellar com o Bolsonarismo.
Vale lembrar a ligação de Renato Araújo, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, para Rodrigo Bacelar, indicado o candidato derrotado a vice-governador da chapa. Cadê a esquizofrenia? O próprio Correio da Manhã registrou a chamada em manchete, com informações do próprio Araujo. Como Bolsonaro não o apoiaria se em vídeo sinalizou o nome de Araújo para vice?
O fiel escudeiro de Flávio Bolsonaro, o secretário de Defesa do Consumidor do Estado, Gutemberg Fonseca, grudou em Rodrigo Bacellar oferecendo seus serviços de marqueteiro e se apresentando como o interlocutor do senador. Ele fez o mesmo com Witzel e depois com Crivella.
Vivendo um momento delicado com o julgamento do 8 de janeiro, com o irmão no exterior, com pouco diálogo com o irmão vereador e ainda lembrado como possível nome para a sucessão presidencial, o senador Flávio Bolsonaro terá de arrumar tempo para reafirmar sua liderança no Rio e assumir uma rotina da convivência política, da qual, infelizmente, se distanciou. Para comandar o processo sucessório com o Rio, terá de estar presente e retomar as bases que ficaram abandonadas pelo jogo nacional.